CEOs

O efeito da ansiedade

Radar
6 de março de 2017

Faz sentido dizer que as preocupações do trabalho influenciam o comportamento dos líderes; mas, até recentemente, as organizações podiam apenas especular como isso acontecia.

Para investigar essa relação, os pesquisadores adotaram uma abordagem excepcionalmente pessoal. Eles pediram a 84 executivos americanos e europeus (principalmente CEOs) de vários setores que descrevessem duas de suas mais difíceis decisões estratégicas — como aquisições, lançamentos de produto e reestruturações — e analisaram a linguagem usada para determinar se eles haviam focado, primariamente, nos potenciais ganhos ou nas potenciais perdas. Para avaliarem de forma mais ampla o grau de preocupação dos executivos, eles entrevistaram cônjuges, familiares amigos e colegas próximos. E examinaram o histórico dos negócios, concorrentes e setores desses executivos.

Os pesquisadores descobriram que líderes ansiosos correram menos riscos estratégicos que seus colegas mais tranquilos — em geral, a ansiedade reduziu o apelo das grandes apostas apesar da possibilidade de grandes ganhos. Entretanto, isso dependia muito do contexto: quando os líderes percebiam que o desempenho da empresa estava baixo, até os mais ansiosos se arriscaram na esperança de virar o jogo. E quando a empresa ia mal, a tendência dos executivos ansiosos era colocar na equipe apoiadores próximos e altamente confiáveis — fenômeno denominado pelos psicólogos de “amortecedor social”.

Esses achados têm várias implicações práticas. Para os membros do conselho, é importante perceber que o efeito amortecedor dificulta a supervisão, pois correligionários na equipe de alta gerência tendem a dar cobertura ao CEO em apuros. Por outro lado, se os conselheiros percebem que a aversão ao risco causada pela ansiedade do líder está prejudicando a empresa, eles podem conceder, ou aumentar, o pagamento baseado em ações (conhecido por incentivar decisões de risco). E embora devam ficar atentos aos sinais de ansiedade no trabalho, precisam estar cientes de que os efeitos sobre a empresa vão depender das circunstâncias. “É possível que a ansiedade seja benéfica em certos contextos (por exemplo, setores estáveis onde a mudança ocorre lentamente) e prejudicial em outros (por exemplo, setores turbulentos onde a mudança ocorre rapidamente)”, escrevem os pesquisadores.

Sobre a pesquisa

“Heavy lies the crown? How job anxiety affects top executive decision making in gain and loss contexts”, de Michael J. Mannor et al. (Strategic Management Journal, 2016) disponível na íntegra neste link.

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