Inovação

Não desista da ideia só porque ela parece óbvia

Andrew Forman
26 de fevereiro de 2019

Passei oito anos procurando uma ideia inovadora que eu sabia que daria certo. Uma ideia que não tivesse somente uma promessa tecnológica, como também um valor social. Iria ajudar as pessoas a contribuírem com as instituições de caridade mais importantes e impactantes no país. Mas continuei protelando.

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A maior razão para minha retração não era o medo, estar ocupado ou preguiçoso – ou qualquer outro bloqueio para com o empreendedorismo. Era algo além disso.

Eu não andei com a ideia porque me parecia óbvia. Eu estava tão convencido de que alguém iria fazê-la acontecer. Então, presumi que eu iria perder tempo e energia.

Estava enganado! Acontece que eu deveria saber caso tivesse ouvido alguns dos inovadores renomados, como Isaac Asimov e Steve Jobs. A evidência é uma parte importante e usual do processo criativo. Caso você esteja considerando a possibilidade de abrir uma startup ou mudar algo dentro de sua organização, aprenda com minha experiência. Não fique adiando como eu.

Por anos, organizei eventos arrecadadores em bares; juntava os amigos, discutia a causa e mostrava informações sobre a empresa que estava auxiliando a causa. Mostrava fotos, contava histórias e explicava como cada caridade ajudava.

Este grupo de pessoas contava com jovens investidores que concordavam em contribuir com $500 ou $1.000. Eu agradecia e perguntava se eles tinham cheques. Eles respondiam: “Cheque? Não, eu tenho só 25 anos. Não tenho cheques.” Então, eu explicava que poderiam contribuir para a instituição via website – pedir que eles navegassem no site através do smartphone não deu certo. Alguns disseram que iriam ver isso em casa em dado momento, pelo computador. Porém, apesar das boas intenções, a maioria não o fez. As únicas contribuições que recebi desses eventos foram em dinheiro, totalizando alguma quantia em notas de $20 dólares daqueles que tinham alguma coisa na carteira.

Enquanto isso, quando vinha a conta do bar nesses eventos, nós a rachávamos pagando por aplicativos, como o Venmo. Foi quando percebi que devia ter um aplicativo que fizesse com que pessoas pudessem doar para instituições de caridade nos Estados Unidos.

Viram só? É óbvio! Embora eu soubesse que poderia formar uma equipe para desenvolver essa facilidade, eu também pensava que alguém iria fazer a mesma coisa. Tal suposição me barrou. Eu deveria ter pensado no óbvio como um motivo para levar a ideia adiante.

“Quando você pergunta a pessoas criativas como fizeram algo, elas se sentem um pouco culpadas porque elas não necessariamente fizeram algo, mas sim, só observaram. Parecia óbvio para elas depois de um tempo,” Steve Jobs afirmou à Wired em 1996. “É porque puderam unir as experiências que tiveram e sintetizar coisas novas.”

Em 1959, Issac Asimov escreveu sobre como essa mesma ideia é aplicada à “teoria evolutiva por seleção natural, exclusivamente criada por Charles Darwin e Alfred Wallace.” Eles viajaram, observando a diversidade da vida animal e vegetal. Ambos leram Malthus’s Essay on Population e perceberam como a vida animal pode explicar a vida vegetal. “Uma vez que a ligação transversal é feita, parece óbvio”, escreve Asimov. Ele notou que o biólogo Thomas H. Husley “deve ter afirmado, depois de ler A Origem das Espécies, ‘Como fui tolo em não ter pensado nisso’. ”

Um estudo da University of Minnesota afirma que o reconhecimento do óbvio é uma parte importante de um dos “cinco estágios do processo criativo. ”

“Em termos de transparência, as resoluções parecem óbvias e simples; porém, na verdade, são simples por conta da clareza que faz com que todas as partes estejam alinhadas e emitindo luz para uma resolução,” diz o estudo.

Há um lado oposto, entretanto. Respostas “óbvias” não são tão óbvias para alguns, em parte porque não estão pensando na pergunta.

As ideias somente vêm para aqueles que reconhecem o problema e procuram soluções inovadoras. Como diz o livro How to Think Like Einstein, “até mesmo Einstein não poderia achar uma solução se tivesse o problema errado. Você precisa ter um problema passível de solução criativa que seja diferente da sua primeira expectativa…Encontrar o problema exige muita reflexão, principalmente quando a solução parece ser óbvia.”

No final das contas, segui minha ideia – ser cofundador da Givz. E essa vivência me ajudou a preparar para as avaliações que obtemos de parceiros e stakeholders. Recentemente, eu me vi tentando acalmar um representante de uma empresa, explicando que a ideia era tão simples quanto parecia.

“É mesmo?”, perguntou ele. “Por isso é fácil.”

Exatamente.


Andrew Forman é cofundador da Givz, uma plataforma digital para doações.

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