Networking

8 perguntas a se fazer além de “O que você faz?”

David Burkus
24 de abril de 2018
multiplex

Todos já tivemos na incômoda situação de conhecer alguém pela primeira vez e ter de desenvolver um relacionamento rapidamente — em eventos de networking, conferências, eventos de caridade, festas e outras situações sociais ligadas ao trabalho. Se você é como a maioria das pessoas — principalmente a maioria dos americanos — você quebra o silêncio desagradável com uma pergunta padrão muito comum: “O que você faz?”.

Mas essa pergunta pode não ser a melhor maneira de construir um relacionamento com alguém. Na verdade, talvez seja melhor evitar completamente falar de trabalho.

Pesquisas feitas no campo da ciência de networking e da psicologia indicam que temos a tendência de preferir, e de buscar, relacionamentos em que exista mais de um contexto que nos possibilite nos vincular ao outro. Sociologistas chamam isso de vínculos multiplex, aqueles em que há uma justaposição de funções ou afiliações advindas de um contexto social distinto. Se um colega de trabalho faz parte da diretoria da mesma organização sem fins lucrativos que você ou senta-se ao seu lado em uma aula de spinning na academia, então vocês compartilham um vínculo multiplex. Preferimos relacionamentos com vínculos multiplex porque, de acordo com o que dizem as pesquisas, relações com esse tipo de vínculo tendem a ser mais enriquecedoras, confiáveis e duradouras. Vemos isso em nosso dia a dia: o colega de trabalho que também é um “amigo” está muito mais propenso a permanecer em sua vida caso um dos dois mude de emprego. E o inverso também é verdadeiro: pessoas que possuem ao menos um amigo, de fato, no trabalho dizem gostar mais de seus empregos.

O que nos leva de volta ao problema de usar “O que você faz?” como sua pergunta para quebrar o gelo.

Supondo que você já esteja em um evento ligado ao trabalho ou conheça alguém em um contexto profissional, a pergunta rapidamente impõe à conversa um limite, fazendo com que a outra pessoa seja, a partir daquele momento, um contato “profissional”. É possível que você descubra outro ponto em comum e desenvolva um vínculo multiplex, mas é bem menos provável que isso ocorra nesse tipo de conversa.

Em vez disso, considere a possibilidade de começar suas perguntas introdutórias com algo propositalmente não ligado ao trabalho, confiando que o contexto do encontro irá, com o tempo, conduzir a conversa para tópicos relacionados ao trabalho. Em busca desse fim, eis algumas perguntas que você pode usar inicialmente e que lhe darão mais chances de encontrar múltiplos pontos em comum e transformar seu novo contato em alguém com quem você passa a ter um vínculo multiplex — e talvez até em um amigo:

Atualmente, o que lhe empolga? Essa é uma pergunta que tem uma grande possibilidade de respostas. Dá aos outros o poder de dar uma resposta ligada ao trabalho, ou falar de seus filhos, ou de seu carro novo, ou basicamente de qualquer coisa que os deixem empolgados.

O que você está ansiosamente esperando? Essa pergunta funciona pelo mesmo motivo, mas está mais voltada para um olhar para o futuro do que para o passado, permitindo aos outros escolher algo em uma gama maior de respostas possíveis.

Qual a melhor coisa que lhe aconteceu esse ano? Similar às duas primeiras, mas ao contrário: olhando mais para o passado do que para o futuro. De qualquer maneira, é uma pergunta aberta que dá aos demais uma opulência de respostas a serem escolhidas.

Onde você cresceu? Essa pergunta vai fundo no background dos outros (mas de uma maneira bem menos categórica e tendenciosa do que “De onde você é”) e lhes permite responder com detalhes simples de sua infância ou contar sua história mostrando como chegaram até onde estão atualmente e o que estão fazendo.

O que você faz para se divertir? Essa pergunta afasta a conversa do trabalho; a não ser, claro, que eles sejam afortunados a ponto de fazer profissionalmente o mesmo que fazem para se divertir. Ainda assim, é compreensivelmente uma pergunta não ligada ao trabalho e as respostas mais prováveis possivelmente gerarão vínculos não profissionais.

Quem é seu super-herói favorito? Essa pode parecer aleatória, mas é uma de minhas preferidas. De vez em quando, essa pergunta me permitiu criar um vínculo graças ao amor mútuo nutrido por um personagem, mas mais frequentemente você irá encontrar uma ou outra ligação mútua devido ao motivo que levou aquela pessoa a escolher um personagem específico ou por que ela não se interessa muito por super-heróis.

Existe alguma instituição de caridade para a qual você contribui? Outra grande pergunta aberta (pressupondo que eles contribuam com ao menos uma instituição). É importante definir contribuição como algo mais amplo do que doações financeiras, uma vez que a contribuição pode ser dada por meio de voluntariado ou simplesmente trabalhando para dar visibilidade à instituição. Você também tem grande chances de ou encontrar um ponto comum ou ficar sabendo a respeito de uma instituição que não conhecia.

Qual a coisa mais importante que devo saber sobre você? Essa é eficaz por razões similares a várias das anteriores, além de oferecer a maior variedade de escolha possível. Pode soar um pouco direta demais, por isso seu uso depende bastante de sinais do contexto.

Independente de qual pergunta for escolhida, o importante é fazer uma pergunta suficientemente aberta para permitir que os outros possam, se quiserem, optar por respostas não ligadas ao trabalho. Fazer isso aumentará suas chances de não só transformar um estranho em um novo contato em seu telefone, mas de realmente fazer um novo amigo.
—————————————————————————–
David Burkus é autor de grande sucesso de três livros, incluindo o vindouro Friend of a Friend; também é professor de Liderança e Inovação na Oral Roberts University.

Compartilhe nas redes sociais!