Gestão pessoal

5 maneiras de focar no trabalho, por um executivo que enfrentou o TDAH

Jack Kosakowski
5 de fevereiro de 2018
prazo

Por natureza, sou bagunçado e desorganizado – e, às vezes, minha mente também. Tenho dificuldade de manter a atenção em praticamente tudo.

Na escola primária, isso significava que não me saía bem nas aulas. Na faculdade, significava que, na maior parte do tempo, eu cabulava e frequentava festas. (Em uma festa ninguém espera que você se concentre.) Após a faculdade, fui diagnosticado com TDAH (Transtorno de déficit de atenção com hiperatividade, em português), assim como 11% das crianças de hoje.

Isso certamente esclareceu muita coisa, mas não facilitou a minha vida. Uma vez que entrei no mundo do trabalho, sabia que tinha que fazer algumas mudanças. Não podia passar minha vida fugindo desse problema, especialmente se quisesse ter sucesso na área de vendas. Teria que me organizar e estar consciente de minhas interações com clientes potenciais e antigos e ficar atento às suas necessidades.

Por meio de diversas tentativas e erros, descobri vários atalhos que podem ajudar alguém que tem dificuldade de manter o foco no trabalho.

Buscar funções que combinam com suas paixões e estilo de atenção. Para a maioria das pessoas é mais fácil focar em coisas pelas quais são profundamente apaixonadas. Mesmo um “cabeça de vento” por natureza pode estar totalmente presente lecionando uma aula, tratando um paciente ou construindo uma casa. Então, tente trabalhar em uma área que você gosta.

Mas vá um passo adiante e procure um emprego que combine com a forma como sua mente funciona. No meu caso, entrei na área de vendas nas redes sociais. Isso me permite usar a comunicação escrita em irrupções curtas em várias plataformas. Também permite muitas conversas rápidas. Contato líderes empresariais e clientes potenciais pelo Twitter DM, Facebook e LinkedIn.

Anote suas tarefas. Faço lista de tudo que preciso a cada dia, sem exceção. Um pequeno quadro branco fica na minha mesa. Todas as minhas responsabilidades a curto prazo estão listadas nele, por ordem de prazo: chamadas de vendas, propostas, reuniões, contratos, e muito mais. Um quadro branco maior fica montado acima da minha mesa, listando minhas responsabilidades a longo prazo: crescimento do negócio, prospecção, mudanças no site, e assim por diante.

Essas listas me encaram o dia todo. Eu as atualizo constantemente e as sigo religiosamente. Quando me vejo pensando em uma tarefa diferente daquela em que eu deveria estar trabalhando, olho para cima, certifico-me de que esteja listada para ser abordada no futuro e, imediatamente, volto para a tarefa em questão. E para manter-me focado em apenas uma tarefa por vez, asseguro-me que nada mais esteja no meu campo de visão. Tenho um mini-armário na minha mesa para evitar a potencial distração de objetos como revistas, livros e presentes de clientes.

Estruture seus dias. Faço tarefas de longo prazo apenas às quartas-feiras. Nos outros quatro dias, o quadro branco de curto prazo manda na minha agenda. Não me dou ao direito de improvisar ou mudar de opinião (a menos que haja uma emergência). Sou rigoroso comigo mesmo, porque se me permitir ir e vir entre os dois quadros brancos a qualquer momento, ficarei pulando entre diferentes tarefas sem terminar nada.

Algumas pessoas estruturam seu trabalho de forma diferente – fazendo as tarefas de longo prazo em dias alternados, no meio do dia, ou em semanas alternadas. Encontre o ritmo que funciona para você e o mantenha.

Nunca faça outras coisas durante uma conversa. Quando você não está focado na pessoa com quem fala, elas sabem disso. Se você está no telefone, elas percebem na sua voz e na inflexão. Se o encontro é pessoal, elas percebem por meio de pistas sutis, ou às vezes não tão sutis.

Quando falo com alguém em um ambiente profissional, não me permito fazer nada mais. Não posso. Se abrir um e-mail durante uma chamada, não entenderei nada do que a pessoa está dizendo. Prefiro a videoconferência do que o telefone – ela me envolve visualmente, reduzindo o risco de que minha atenção comece a vagar. Se estiver falando com alguém pessoalmente, coloco de lado meu telefone e outras distrações.

Também aprendi a “escanear” conversas procurando pelos pontos-chave. À medida que a pessoa fala, capto algumas linhas e frases – os pontos que eu escreveria para resumir o que eles dizem. Isso me faz ouvir com intenção.

Como resultado, as pessoas sabem que têm minha total atenção – algo raro nos dias de hoje. Elas gostam de falar comigo, o que importa muito, já que os relacionamentos são a essência do meu trabalho.

Sempre faça com que alguém o responsabilize. Mesmo quando você toma todos esses passos, pode haver momentos em que sua mente começa a vagar. Por isso é útil ter alguém que conheça sua dificuldade e possa ajudá-lo a voltar ao eixo.

Para mim, essa pessoa é minha esposa, sócia de minha empresa. Ela fica de olho em meus quadros brancos, bem como no meu calendário. Mas não precisa ser alguém tão próximo. Pode ser um assistente, um colega ou mesmo um chefe.

Pessoas que estão igualmente envolvidas em sua empresa querem que ela, e você, tenham sucesso. E há reciprocidade – um dá cobertura ao outro. Vocês podem se responsabilizar mutuamente de formas diferentes. Talvez você lhes esteja ensinando a ficar mais confiante para falar na frente de um grupo ou compartilhando alguns dos seus conhecimentos sobre uma nova tecnologia. Todos nós temos algo a trabalhar.

Conversar com os colegas ou chefe sobre sua dificuldade de foco pode dar nos nervos, porque ninguém quer ser julgado. Mas, na minha experiência, se você informar as pessoas sobre seu mundo e suas formas únicas de trabalhar, é provável que se abram sobre seus desafios também. Isso leva a um ambiente de trabalho mais empático, colaborativo e humano.
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Jack Kosakowski é CEO das divisões da Creation Agency e SkillsLab nos EUA.

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