Gênero

O gap de gênero em 6 gráficos

Gretchen Gavett e Matt Perry
14 de outubro de 2019

Quanto tempo ainda levaremos para alcançar a igualdade de gênero no mundo? Enquanto o Fórum Econômico Mundial (WEF, em inglês) prevê que os Estados Unidos só alcançarão este feito depois de mais dois séculos, outros países estão mais à frente – e vários ainda poderão alcançar a igualdade ainda nesta vida (ou na dos nossos filhos). Mas na maioria das nações, e de acordo com muitas métricas importantes, a igualdade de gênero ainda tem um bom caminho a percorrer. Quando olhamos os dados, observamos exatamente como as mulheres ficaram muito para trás – grande parte disso envolvendo medidas de poder e influência – que podem nos ajudar a lidar com essas áreas específicas.

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O Relatório Global sobre a desigualdade de Gênero do Fórum Econômico Mundial, publicado anualmente desde 2006, analisa 149 países através de quatro dimensões críticas em relação à igualdade de gênero:

Participação econômica e oportunidade: as taxas de mão de obra, proporção de renda ganha entre mulheres e homens e proporção de gênero na área legislativa, administrativa e trabalho profissional.

Nível educacional: acesso de homens e mulheres à educação primária, secundária e terciária

Saúde e sobrevivência: proporção entre os sexos no nascimento (levando em conta países onde os filhos do sexo masculino são fortemente preferidos) e a diferença na expectativa de vida entre homens e mulheres

Empoderamento político: proporção entre os sexos em cargos ministeriais e parlamentares e a proporção em anos em que mulheres e homens serviram como presidentes ou primeiros-ministros na última metade do século

Abaixo, encontra-se uma visão mais detalhada sobre cada uma dessas dimensões, seguida por uma comparação entre diferentes regiões.

A DESIGUALDADE DE GÊNERO POR DIMENSÃO

A desigualdade entre homens e mulheres em todas essas medidas está lentamente diminuindo. Em 2018, o relatório do Fórum Econômico Mundial mostrou que 68% da diferença global estava fechada, um leve aumento de cerca de 65% desde 2006. Muito disso teve relação com nível de educação e saúde, onde as desigualdades de gênero quase desapareceram. No entanto, duas áreas importantes de poder e influência ainda não foram atingidas: empoderamento político e participação e oportunidade econômicas. As mulheres detêm parcos 34% de cargos administrativos no mundo todo e menos de 10% de países têm mulheres como chefes de estado.

Portanto, enquanto as mulheres estão cada vez mais instruídas e saudáveis, raramente são incluídas nas tomadas de decisões que as afetam.

Apenas uma das quatro medidas teve crescimento entre 2017 e 2018: oportunidade econômica, em grande parte devido ao aumento geral na renda de mulheres e a um aumento no número de mulheres no espaço tecnológico. Todas as outras categorias, embora em elevação geral desde 2006, tiveram uma leve queda. Em particular, o empoderamento político de mulheres despencou depois de quase uma década de lento crescimento. O motivo? A representação estagnada ou em declínio de mulheres em cargos políticos no Ocidente.

Outra forma de examinar cada índice é por país. Quando comparamos a dispersão de países ao longo de cada uma das medidas, é possível observar onde várias nações estão. O nível educacional e a saúde estão consideravelmente mais enclausurados, ao passo que há uma disparidade mais ampla entre países em termos de oportunidade econômica e empoderamento político.

Vale notar que os Estados Unidos estão em marcha lenta em relação ao empoderamento político, classificando-se em 98º lugar. A Islândia lidera esta medida em particular, embora tenha tido uma leve diminuição no número de legisladoras desde 2017. A Nicarágua, que está em segundo lugar, atualmente possui a maior paridade entre homens e mulheres no governo.

DISPARIDADE NA IGUALDADE DE GÊNERO POR REGIÃO
Olhando através de lentes diferentes, muitos das disparidades não são tão grandes quando comparamos as regiões: a Europa Ocidental e a América do Norte diminuíram grande parte das disparidades nos últimos anos, ao passo que o Sul da Ásia, o Oriente Médio e a África do Norte diminuíram menos.

De alguma forma, isso é um reflexo dos países nessas regiões. Os países da Europa Ocidental detêm metade das 10 melhores classificações: Islândia (1º lugar), Noruega (2º), Suécia (3º), Finlândia (4º) e Irlanda (9º). (Para complementar, os líderes são, em ordem, Nicarágua, Ruanda, Nova Zelândia, Filipinas e Namíbia). Os EUA estão em 51º, China em 103º e Índia em 108º. Os três piores são Iêmen (149º), Paquistão (148º) e Iraque (147º). E, mesmo assim, as regiões líderes têm discrepâncias entre si. Na Europa Ocidental, existe uma diferença de 3,4% em termos de nível educacional entre os melhores e os piores países classificados.

Além disso, existe um ritmo de progresso em todas as regiões, que está lentamente avançando. Grande parte das regiões testemunhou crescimento ou ficou no mesmo patamar – exceto a América do Norte, que caiu nos últimos anos antes de ter um leve crescimento em 2018. Este último ano também testemunhou leves quedas nas regiões da África Subsaariana e Sul da Ásia, ao passo que a América Latina e o Caribe tiveram as maiores melhorias entre 2017 e 2018.

Tudo isso leva às boas e más notícias sobre quando a igualdade de gênero ocorrerá. Os números, por região, estão abaixo.

Quinze países estão no caminho para fechar o gap nos próximos 50 anos, incluindo França (em 22 anos) e Islândia (em 23 anos). Trinta e cinco países devem obter isso em até um século, incluindo Canadá (em 51 anos), Suíça (em 54 anos) e Arábia Saudita (em 76 anos). O Fórum Econômico Mundial aponta que uma criança nascida hoje poderá vivenciar a paridade nesses locais. No entanto, em mais da metade dos países no índice, uma criança nascida hoje nunca verá a paridade de gênero: estima-se que levará 208 anos nos Estados Unidos – e até 500 anos no Paquistão e Irã.

Trinta e cinco países devem obter isso em até um século, incluindo Canadá (em 51 anos), Suíça (em 54 anos) e Arábia Saudita (em 76 anos). O Fórum Econômico Mundial aponta que uma criança nascida hoje poderá vivenciar a paridade nesses locais. No entanto, em mais da metade dos países no índice, uma criança nascida hoje nunca verá a paridade de gênero: estima-se que levará 208 anos nos Estados Unidos – e até 500 anos no Paquistão e Irã.

Sobre os autores: Gretchen Gavett é editora assistente sênior na Harvard Business Review. Matt Perry é editor gráfico sênior na Harvard Business Review.

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