Cultura organizacional

Construção da cultura é prioridade para guiar empresa

Carlos Eduardo Gonçalves
17 de fevereiro de 2020

“Para quem não sabe para onde vai, qualquer caminho serve.” Foi assim que o gato respondeu a Alice que, perdida, lhe perguntou para onde ia a estrada. Parece lúdico, especialmente vindo das páginas de Alice no País das Maravilhas, mas é um pensamento indispensável quando falamos de cultura organizacional.

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Definir os valores de uma empresa é escolher o caminho. Ao saber para onde vai, a organização consegue disseminar a direção entre os seus colaboradores e tirar o discurso do quadro pendurado na parede para colocá-lo em prática nas atividades empresariais.

Em junho de 2019, quando comecei a trabalhar na Bcredi, um detalhe da cultura me chamou a atenção. Apesar de a empresa ser brasileira, os valores que a guiavam estavam escritos em inglês. Entendo que as startups precisem pensar globalmente. Porém, neste momento de crescimento, tanto a equipe quanto os clientes têm o português como sua língua materna. O fato de os valores estarem em um idioma estrangeiro poderia ser uma barreira para compreendê-los.

Priorizar uma cultura forte é fundamental para atrair e reter talentos, para ter as pessoas alinhadas ao objetivo da empresa e para atender bem os clientes. Por isso, quando percebi que uma parte dos funcionários poderia não estar praticando os valores simplesmente porque não os compreendia, decidi agir. Levei essa discussão para as outras lideranças da empresa e percebemos que havia espaço para repensar esse tema.

Iniciamos um processo de reescrever esses valores. Partimos dos seis que existiam. Depois de pensar o que eles significariam em português, começamos a simplificar as mensagens. Questionamos o que fazia sentido para o atual propósito da empresa. Chegamos a uma primeira versão de texto e dividimos com o resto da empresa. A discussão aconteceu entre um time de pessoas elegíveis e depois se espalhou pela companhia. Os gestores de cada área foram responsáveis por debater os valores com suas equipes. Esse processo permitiu questionamentos, acréscimos e cortes no texto proposto inicialmente. Após o retorno dos gestores, fechamos junto com os times envolvidos os nomes dos valores e a redação final.

Essa construção em conjunto dos valores já refletiu o jeito de fazer da Bcredi. Apostar nessa horizontalidade da cultura organizacional e acreditar que todo trabalho precisa ser comunicado de forma simples, objetivo e didático, para que cada um compreenda e aplique a essência da mensagem. O resultado final desse projeto foi uma lista de apenas três valores – “Em frente, lado a lado”,

“Em frente, com foco em resultado” e “Em frente, com criatividade” – todos em português, divulgados no fim do ano para toda a empresa

O valor “Em frente, lado a lado” mostrou como valorizamos o desenvolvimento contínuo e a parceria. Se errou, é preciso aprender com o erro, consertar e seguir em frente. Não dá para ficar parado. Também acreditamos no espírito de coletividade e de união pelo mesmo propósito, porque acreditamos que juntos vamos mais longe.

E logo este valor virou prática. Fizemos uma reforma no escritório de São Paulo e precisávamos de alguém para tocar a obra. Lembramos do Samir, uma pessoa da área de crédito que havia nos ajudado com esse tema quando ocupávamos um espaço menor. Ele topou cuidar do projeto e fez tudo com muita dedicação. Não tinha a ver com o trabalho que ele exercia, mas era uma competência que ele já tinha desenvolvido. Ele não hesitou quando soube que poderia novamente contribuir para crescermos, lado a lado.

O valor “Em frente, com foco em resultado” traduziu nosso objetivo de crescer com vistas à sustentabilidade financeira. Trabalhamos com investidores, e a prestação de contas acontece a todo momento. Em qualquer empresa, a busca pelo resultado é fundamental, pois só assim o crescimento acontece e mais pessoas podem ser beneficiadas pelos serviços e produtos oferecidos. Precisamos errar e aprender rápido. E para isso, trabalhar com dados corretos e mensurá-los de forma constante é uma premissa. 

Já presenciei diversas vezes colaboradores preocupados com desafios específicos que a empresa estava vivendo, ainda que não uma fosse uma atribuição da sua área. É importante ver que todos estão alinhados e preocupados com as metas que queremos atingir.

O terceiro valor foi “Em frente, com criatividade”. Criatividade para nós tem a ver com inovação e a diversidade. É usar o inconformismo como combustível para pensar em alternativas. Será que não dá para fazer mesmo? Já testamos todas as possibilidades?

Recentemente, recebemos a certificação Great Place to Work (GPTW. Prova de que abraçamos a diversidade na prática é que fomos destaque nesse item, ficando acima das demais empresas da categoria médio porte nos quesitos de etnia, raça, gênero e orientação. E com mais gente diferente, mais ideias e criatividade para o negócio.

Essas práticas refletem o quanto os valores reestruturados já estão sendo praticados por cada um dos colaboradores. O objetivo agora é disseminá-los ainda mais, apresentando-os desde o recrutamento até o dia a dia da empresa. E para mensurar sua eficácia, um plano de avaliação e de desenvolvimento adotará os valores como premissa, para garantir que não sejam apenas um discurso empresarial, mas sim uma cultura interna com força e voz. 


Carlos Eduardo Gonçalves é diretor na Legal & People da Bcredi.

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