Economia e sociedade

A hora das startups

Leonardo Framil e Eduardo Plastino
18 de outubro de 2019

A característica mais marcante da economia global das últimas décadas é a aceleração da mudança tecnológica. Inovação gera mais inovação. Por exemplo, os smartphones permitiram o surgimento da economia baseada em aplicativos; a quinta geração de internet móvel (5G) possibilitará gigantescos avanços na Internet das Coisas (IoT), na qual objetos (como máquinas industriais) “se comunicam” entre si, levando a enormes ganhos de produtividade.    

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Por isso, a transformação das últimas décadas é apenas o começo da revolução. A IDC calcula que em 2022 – daqui a meros três anos – nada mais menos que 60% do PIB global serão digitalizados. Na Accenture, definimos o período em que estamos entrando como a era pós-digital, em que o digital é o preço de admissão para se fazer negócios, e não mais o diferencial.

Como fica o Brasil neste contexto? Embora sejamos parte deste movimento global, a maioria das empresas brasileiras tem enfrentado dificuldades para se adequar ao mundo digital, e poucas estão preparadas para o crescimento no mundo pós-digital, que dependerá mais do que nunca da inovação. Infelizmente, amargamos o 66º lugar no Índice Global de Inovação deste ano.

Obrigadas a navegar anos de recessão e baixo crescimento, as grandes empresas do país têm relutado muito em investir. É compreensível, mas sem investimento não existe transformação digital, muito menos crescimento baseado em inovação na era pós-digital.

Agora, a boa notícia: em meio às adversidades macroeconômicas, existem no país empresas que crescem a passos acelerados à base de inovação: startups. Recentemente, a QuintoAndar, que facilita o aluguel de imóveis sem intermediários, tornou-se o oitavo “unicórnio” brasileiro – startups com um valor de mercado superior a 1 bilhão de dólares. O fato de eles atuarem em setores tão variados como fintech (Nubank e Stone), educação (Arco), logística (Loggi), transporte (99), alimentação (iFood) e benefícios de academia (Gympass) reforça a certeza de que nenhuma indústria está imune à disrupção.

O investimento de diversas fontes em startups, que correspondia a apenas 0,06% do PIB brasileiro em 2016, chegou a 0,32% no ano passado. Trata-se de um salto impressionante, mas que ainda nos deixa muito aquém dos líderes tecnológicos mundiais. Estados Unidos, China, Israel e Reino Unido, por exemplo, registram níveis de investimento em startups entre 0,90% e 1,00% do PIB.

A lição: estamos nos primeiros passos de um caminho de crescimento acelerado das startups brasileiras. Nesse contexto, nossas grandes empresas têm uma escolha a fazer. Uma opção é se ater à visão das startups como ameaças potenciais. Nesse caso, seriam ameaças sérias—pesquisa da Accenture aponta que o consumidor brasileiro está entre os mais propensos do mundo a experimentar novas alternativas mais atraentes de produtos e serviços.

Uma visão bem mais promissora é das startups como parceiras de inovação e crescimento. Nela, o foco está menos na concorrência com elas e mais nos benefícios que a inovação gera para os clientes.

Diante da oportunidade de sermos a “ponte” entre grandes empresas e startups, nos tornamos a primeria empresa parceira do Cubo, o principal polo de empreendedorismo de base tecnológica da América Latina. Após quatro anos, já são mais de uma centena de MVPs (Minimum Viable Products, ou protótipos de soluções desenvolvidas) e parcerias de colaboração com clientes em um dos modelos mais bem-sucedidos da Accenture no mundo.

Não temos dúvida que o caminho passa por engajamento com as startups seja por meio de investimentos diretos, programas de incubação ou mentorias. A hora de agir é agora. As startups brasileiras são parceiras essenciais no caminho para o sucesso na era pós-digital.

Leonardo Framil é presidente da Accenture Brasil e América Latina

  Eduardo Plastino é líder de pesquisa da Accenture no Brasil

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