Estratégia Global

42 países classificados segundo a facilidade para fazer negócios digitais

Bhaskar Chakravorti e Ravi Shankar Chaturvedi
26 de setembro de 2019

A pesquisa anual Doing Business, realizada pelo Banco Mundial, foi descrita por alguns como a Copa do Mundo ou as Olimpíadas para governos que competem para deixar seus países atraentes para as empresas. O ranking mede a facilidade para fazer negócios em um país, analisando ambientes regulatórios, e é enormemente influente: inspirou mais de 3.500 reformas em 190 economias; somente em 2017-2018, 128 economias realizaram o recorde de 314 reformas.

Leia também: 

O presidente da Ryohin Keikaku fala sobre o projeto de expansão global da Muji

Guia para ajudar estrategistas na hora de avaliar mercados emergentes

Embora essa atenção à capacidade de resposta a políticas seja admirável, um elemento-chave está ausente em rankings como o Doing Business: eles dizem pouco sobre a facilidade ou dificuldade de se fazer negócios digitais. Nosso objetivo é fechar essa lacuna com a primeira análise sobre a Facilidade para Fazer Negócios Digitais em 42 países em todo o mundo. Escolhemos esses países por constituírem os mercados mais importantes para empresas digitais em todo o mundo e oferecerem um conjunto consistente de dados em uma ampla gama de indicadores. Concluímos que os ambientes de negócios digitais exigem focos e investimentos distintos em políticas. Nossa avaliação deve ser encarada como um complemento ao estudo do Banco Mundial; ela fornece aos tomadores de decisão uma base para comparar os países não apenas em termos de facilidade de negócios “tradicional”, mas também em termos de fatores que afetam a criação de negócios digitais.

Embora todas as empresas tenham elementos de tecnologia digital incorporados, definimos “empresas digitais” como aquelas que têm uma plataforma digital no centro de seu modelo de negócio. Analisamos quatro plataformas digitais essenciais: plataformas de comércio eletrônico (como Amazon, eBay); plataformas de mídia digital (como YouTube, Netflix); plataformas voltadas à economia compartilhada (como Uber, Airbnb); e plataformas online para freelancers (como Upwork, Toptal).

É indiscutível que as empresas digitais representam um dos aspectos de crescimento mais dinâmicos em grande parte das principais economias do mundo. Nos EUA, por exemplo, a economia digital cresceu 3,7 vezes mais rapidamente nos 11 anos anteriores a 2016, em comparação com a economia como um todo, de acordo com o Escritório de Análise Econômica (BEA, em inglês) do Departamento de Comércio.

Consideramos alguns dos desafios específicos que as empresas digitais enfrentam:

  • Elas crescem ou encolhem em velocidades diferentes e são governadas por vários fatores específicos aos ecossistemas digitais.
  • Elas enfrentam resistência e concorrência únicas no mercado.
  • Os negócios digitais apresentam desafios regulatórios diferenciados. As regras que regem a mobilidade dos dados, a proteção da privacidade do usuário ou a neutralidade na internet podem afetar profundamente a facilidade para fazer negócios digitais – e essas regras variam de país para país.
  • Dado seu valor estratégico, os negócios digitais podem ser particularmente importantes para os governos. A rivalidade EUA-China é um exemplo. Muitos negócios digitais internacionais tentaram entrar na China – e falharam –, enquanto os EUA abrigam muitas das maiores empresas de tecnologia, e o governo americano impôs restrições particularmente fortes a empresas chinesas, como a gigante digital Huawei.

Existem inúmeros outros fatores de infraestrutura que demonstram as idiossincrasias das empresas digitais, como acesso digital e largura de banda adequada, facilitadores institucionais para criação de conteúdo digital e censura na Internet, além da disponibilidade de profissionais talentosos. Apesar do poder da economia digital, esses fatores não são tão bem compreendidos, adequadamente comparados entre países ou sistematicamente avaliados para uma tomada de ação por parte de formuladores de políticas, líderes empresariais e investidores.

Quadro comparativo de Facilidade para Fazer Negócios Digitais: metodologia

Queríamos saber: quão fácil é para as plataformas digitais mais importantes entrar, operar, prosperar ou sair de mercados em todo o mundo e quais são os principais facilitadores e barreiras?

Utilizamos 236 variáveis em 42 países de mais de 60 fontes de dados, incluindo bancos de dados públicos, como os do Banco Mundial e do Fórum Econômico Mundial, serviços de assinatura, como GSMA e Euromonitor, e fontes próprias, como Akamai, Chartbeat e Private Capital Research Institute. A fim de elaborar uma imagem combinada dos “negócios digitais”, consideramos quatro tipos de plataformas digitais que representam proposições de valor distintas e os principais modelos de negócios – plataformas de comércio eletrônico, mídia digital, plataformas de economia compartilhada e plataformas on-line para freelancers – como os principais indicadores de oportunidades de negócios digitais de um país.

A pontuação de um país no Índice de Facilidade para Fazer Negócios Digitais (EDDB) foi obtida a partir de uma combinação de pontuações específicas da plataforma e fatores de base, conforme indicado na lista abaixo:

As plataformas digitais representaram 50% da pontuação. 

Seu peso foi distribuído da seguinte maneira:
Comércio/varejo eletrônico: 20%
Mídia digital, definida como mídia e entretenimento fornecidos por meios digitais: 15%
Economia compartilhada / facilitação digital do compartilhamento de ativos entre indivíduos e grupos privados: 10%
Freelancers on-line altamente qualificados usando a Internet para obter, concluir e entregar projetos: 5%

Os fatores de base compuseram os outros 50% da pontuação total.

Seu peso foi distribuído da seguinte maneira:
Acessibilidade dos dados, definida como a extensão em que os dados são transferidos facilmente através e dentro das fronteiras, incluindo a intensidade dos fluxos de dados e as restrições de dados. Esses fluxos de dados livres, bem como a abertura do governo ao compartilhamento público de dados anônimos, com políticas em vigor para proteger a privacidade do usuário: 25%
Fundamentos digitais e analógicos essenciais para todas as plataformas digitais, em termos de demanda, oferta, instituições e inovação: 15%
Pontuação na Facilidade de Fazer Negócios do Banco Mundial em 2019, representando o desempenho de um país em comparação com a melhor medida possível: 10%

O gráfico abaixo mostra o EDDB e como 42 países se comparam, tanto pelo desempenho do EDDB no agregado quanto nas quatro plataformas digitais.

 

Facilidade para Fazer Negócios Digitais

Quando comparamos 42 países utilizando sete indicadores principais, os Estados Unidos e o Reino Unido lideram a classificação, enquanto Rússia e Indonésia ficam em último lugar.

————————————————————————————————————————————

Classificação do país

20% superiores

20% medianos

20% inferiores

———————————————————————————————————————————-

Horizontal

Banco Mundial Doing Business 2019

Bases digitais e analógicas

Acessibilidade de dados

Comércio eletrônico

Mídia digital

Economia compartilhada

Freelancers on-line

Pontuação

Fonte: Iniciativa de pesquisa Digital Planet, Fletcher School, Tufts University

 

Várias implicações devem observadas a respeito de nossas descobertas. Exploraremos três tipos: principais descobertas para países de destaque, padrões de plataformas digitais e uma comparação do EDDB com os rankings Doing Business do Banco Mundial. 

Resultados sobre países de destaque: Os primeiros colocados

Os EUA e o Reino Unido têm o melhor desempenho geral, impulsionados por vários pontos fortes: sofisticação do mercado, impulsionadores institucionais e de oferta para a economia digital, acessibilidade dos dados, além de forte desempenho em termos de tradução da “facilidade” em todas as quatro plataformas. É claro, espera-se que o Reino Unido passe por algumas mudanças significativas após o Brexit. Simulamos diversos cenários possíveis – um Brexit rígido ou flexível – e descobrimos que, embora a pontuação geral do Reino Unido caia, o país permanece em segundo lugar.

Aqui estão algumas outras descobertas que se destacaram:

  • Em Cingapura, 6% da população é composta por freelancers, o que gera uma alta pontuação de Freelancers On-line. Do mesmo modo, seu crescimento no comércio eletrônico e como uma economia de compartilhamento pode ser atribuído a suas bases digitais e à popularidade do boca-a-boca das ofertas da economia compartilhada. No entanto, as restrições de Cingapura sobre o compartilhamento de dados abertos e as restrições regulatórias nos negócios de mídia digital contribuem para seu desempenho mais fraco nessa plataforma. Cingapura também não é signatária da Parceria para Governo Aberto, que reduz sua pontuação em relação à acessibilidade de dados.
  • A Coreia do Sul pontua mais em medidas para sofisticação de mercado, como cobertura e velocidade de banda larga móvel e sofisticação do consumidor; no entanto, sua pontuação em mídia digital é afetada negativamente por algumas ocorrências envolvendo censura na internet. Sua pontuação é relativamente baixa em Acessibilidade de Dados por conta das leis de localização de dados que restringem as informações espaciais e de localização devido a preocupações com a segurança nacional. Além disso, sindicatos fortes e regulamentações rígidas garantiram que os serviços de transporte por aplicativo e de compartilhamento de residências permaneçam parcial ou totalmente proibidos na Coreia.
  • A Estônia se sai particularmente bem na economia compartilhada por diversas razões. Suas instituições inovadoras fornecem bases sólidas. Embora alguns países europeus tenham reagido à economia compartilhada com sanções, a Estônia colaborou com empresas, como Airbnb e Uber, para criar um arranjo tributário, permitindo que anfitriões e motoristas façam as contribuições à administração fiscal sem maiores problemas. Bolt, um dos concorrentes mais formidáveis da Uber na África e na Europa, nasceu na Estônia. A maior oportunidade de melhoria da Estônia é facilitar o ambiente para as empresas de comércio eletrônico, que devem operar no cruzamento entre o mundo digital e o mundo físico. O país apresenta um baixo uso per capita de comércio eletrônico e é afetado negativamente pelos custos de frete transnacionais da União Europeia.

Entre os países da UE, os países nórdicos, como um grupo, estiveram entre os primeiros a adotar a tecnologia digital e mantiveram uma evolução digital consistente e de alto nível, conforme dados de nosso Índice de Evolução Digital. O desempenho desses países no EDDB também é forte por vários motivos: os consumidores nórdicos adotaram modelos baseados em assinaturas para acesso digital a notícias e mídias muito mais rapidamente do que outros países; seu apetite por serviços de vídeo sob demanda por assinatura permanece alto; a região abriga alguns dos consumidores on-line mais experientes – um terço de todos os consumidores nórdicos realiza comércio eletrônico transfronteiriço mensalmente, principalmente de sites no Reino Unido, na Alemanha e na China. A Finlândia, em particular, é líder na economia compartilhada; seu sucesso se deu por uma combinação de um governo transparente e um alto nível de confiança.

No entanto, os nórdicos têm uma variação considerável entre si no desempenho do EDDB, principalmente devido às diferenças nos níveis de acessibilidade de dados. Vários países nórdicos possuem pesadas leis de localização de dados, que afetam sua pontuação de acessibilidade de dados. Por exemplo, na Dinamarca, a Lei Dinamarquesa de Contabilidade exige que as empresas armazenem dados financeiros de cidadãos dinamarqueses, seja na Dinamarca, seja em outro país nórdico por cinco anos.

Resultados sobre países de destaque: lacunas significativas a preencher

A China se destaca como uma anomalia e uma contradição: embora tenha sido a economia digital que cresceu mais rapidamente, medida pela pontuação de ritmo do nosso Índice de Evolução Digital, seu desempenho no EDDB é fraco. O motivo é que, embora tenha estabelecido um ambiente altamente favorável para os principais players digitais do país, a China é um mercado desafiador para especialistas em criar negócios e em nível internacional, devido a várias restrições impostas pelo governo. A “facilidade” avaliada aqui utiliza a perspectiva de um potencial criador de negócios digitais sediado em qualquer lugar. Além das barreiras governamentais à entrada, o ambiente geral da China é difícil para uma empresa que planeja se estabelecer no mercado por causa de uma série de leis e políticas restritivas à economia digital – incluindo leis de localização de dados e pouca abertura quanto aos dados. Como resultado, apesar do ecossistema digital altamente inovador e de rápido avanço na China, seu desempenho no EDDB é notavelmente mais baixo.

Também simulamos o impacto de cenários em que não há penalidades para a restrição da mobilidade de dados para identificar o impacto em países como a China, que sofrem uma forte queda na pontuação do EDDB por conta dessas restrições. Nesse cenário, a China mostra uma melhora significativa e ganha 13 pontos, subindo para a 26ª posição no EDDB.

Como se poderia esperar, além da China, os mercados emergentes em geral demonstram oportunidades significativas de melhoria; cada um representa um desafio diferente a ser superado, apesar do status de “Break Out” em nossas pesquisas anteriores sobre economias digitais, o Índice de Evolução Digital. Considere os exemplos de três principais países emergentes – Índia, Indonésia e Turquia -, cada qual com diferentes oportunidades para melhoria no EDDB:

  • A plataforma digital mais forte da Índia é a de freelancers on-line, especialmente profissionais de software. Quatro em cada dez freelancers especializados em desenvolvimento e tecnologia de software encontram-se na Índia. Entretanto, a Índia é limitada por sua infraestrutura física e digital, ainda que o número de usuários de internet com acesso à banda larga móvel esteja crescendo rapidamente. Além disso, frequentes reveses de medidas, como as regras de comércio eletrônico recentemente introduzidas, tornam o país um ambiente digital difícil de navegar, principalmente para players estrangeiros. Enquanto o sistema Aadhaar – o celebrado programa de identificação biométrica do país – criou uma identidade digital para 1,2 bilhão de indianos, sua adoção e utilização mais amplas no e pelo setor privado foram limitadas pela Suprema Corte. Isso significa que as dificuldades de autenticação de usuários permanecem para as empresas digitais.
  • A Indonésia é a terra natal do Go-Jek, um decacórnio amplamente admirado do setor de transporte compartilhado. O sucesso do Go-Jek como líder nos negócios de economia compartilhada, apesar das barreiras infraestruturais e institucionais do país, ressalta as oportunidades para um criador de negócios digitais que enfrenta as adversidades. O caso Go-Jek à parte, o país possui algumas das leis mais restritivas de localização de dados, o que impõe desafios aos negócios digitais. Interesses entrincheirados, principalmente grupos industriais nacionais, têm conseguido manter as reformas em um patamar aceitável.
  • Em relação a outros países emergentes, a Turquia possui um ecossistema digital bem evoluído e de rápida adoção. No entanto, existem muitos desafios para a criação de negócios em todas as plataformas, que colocam a Turquia entre as últimas colocadas. Por exemplo, as plataformas de transporte compartilhado enfrentaram várias barreiras, com os motoristas de táxi de Istambul processando essas empresas e alguns motoristas desses aplicativos relatando crescente hostilidade por parte dos motoristas de táxi amarelos. A plataforma de freelancers on-line precisa lidar com um pool limitado não só de profissionais, como de projetos. Um fator limitador presente em todas as plataformas tem a ver com uma lacuna de gênero nos pagamentos; de acordo com o Banco Mundial, a Turquia tem “uma das maiores disparidades de gênero em termos de inclusão financeira do mundo”.

Comparação entre a performance dos índices EDDB e Doing Business

Existe uma correlação modesta entre as pontuações do índice Doing Business e do EDDB (coeficiente de 0,42). Ser altamente competitivo no quesito Fazer Negócios não é necessário nem suficiente para a competitividade no EDDB. Existem duas maneiras pelas quais as pontuações em um divergem das pontuações no outro.

Em primeiro lugar, as reformas no domínio digital não foram acompanhadas por reformas em outros domínios, como nas regulamentações. No EDDB, várias economias avançadas, como Holanda, Japão ou Suíça, também fizeram avanços na facilidade digital, enquanto seus sistemas regulatórios tradicionais ficaram aquém dos de vários países emergentes, como Tailândia, Rússia ou Malásia, que se movimentaram agressivamente para instituir reformas gerais e ainda precisam resolver suas deficiências digitais.

Olhando mais de perto, considere os casos da Suíça e da Malásia. Enquanto a Suíça se sai melhor – relativamente falando – no ranking do EDDB do que no Doing Business, o contrário é verdadeiro para a Malásia. Por um lado, a Suíça tem caído no ranking Doing Business, principalmente devido ao seu desempenho mais fraco na categoria “abrir um negócio”. O país não fez o suficiente para acompanhar as reformas realizadas por outros países, que foram mais agressivos na promoção do empreendedorismo. A Suíça, no entanto, manteve, consistentemente, uma pontuação forte nos fatores digitais de base, e se destaca, particularmente, na facilitação da mídia digital, o que aumentou sua pontuação no EDDB.

Já a Malásia recentemente realizou seis reformas comerciais e, como resultado, saltou nove posições no ranking Doing Business do Banco Mundial, ocupando agora a 15ª posição. No entanto, o país não enfrentou várias barreiras que afetam os negócios digitais. Entre eles incluem-se: ineficiências transfronteiriças e facilidade de entrada no mercado; uma porcentagem relativamente pequena de sua população coberta por uma rede 3G ou de maior velocidade; e fatores que afetam o atendimento eficiente (pontualidade, qualidade da infraestrutura de comércio e transporte, qualidade dos serviços de logística, monitoramento e rastreamento). A Malásia também tem uma pontuação mais baixa em acessibilidade de dados devido à alta frequência de solicitações de remoção pelo governo direcionadas a empresas como Google, e solicitações do governo ao Facebook por dados de usuários, além de pontuações mais baixas nos índices de Liberdade de Imprensa e Liberdade na Internet. Por outro lado, a Suíça teve um desempenho muito bom em todos esses indicadores.

Em segundo lugar, algumas plataformas digitais se beneficiam de reformas que impulsionam o índice Doing Business: Comércio Eletrônico, dada a sua alta dependência de bases analógicas para atendimento e logística, demonstra o relacionamento mais forte com as pontuações Doing Business (coeficiente de 0,49). A Mídia Digital se destaca como a plataforma com a menor correlação com a classificação do Doing Business. Em outras palavras, os países que são fortes no Doing Business obtêm um aumento nas pontuações da plataforma de comércio eletrônico, o que aumenta o desempenho do EDDB.

O que isso significa para as empresas

O primeiro aspecto, previsivelmente, é que as regulamentações digitais e as escolhas de políticas públicas são determinantes no índice EDDB. Isso abarca desde a privacidade do usuário ou a acessibilidade das regras de dados a aqueles que governam empresas de economia compartilhada ou que protegem os direitos de profissionais autônomos. A acessibilidade dos dados é essencial para o crescimento prolongado dos negócios digitais, pois eles integram as análises de dados aos produtos e serviços que continuam a oferecer. Vários países têm restrições aos fluxos de dados ou leis de localização de dados em vigor devido à privacidade do usuário ou a outras preocupações. Os formuladores de políticas interessados em promover economias digitais robustas fariam bem em medir e monitorar o que chamamos de Número de Dados Bruto, ou o novo “PIB”, e avaliar cuidadosamente as barreiras à acessibilidade dos dados.

O segundo aspecto é que os elementos de infraestrutura que estão na interseção do mundo digital com o mundo físico, da internet e do acesso móvel a pagamentos e atendimento, são fundamentais para o desempenho no EDDB, além de vitais também para os negócios tradicionais.

Em terceiro lugar, como os negócios digitais são construídos em plataformas que representam os usuários de ambos os lados de uma transação, os fatores que governam os recursos de todos os usuários são essenciais para o EDDB. Habilidades, sofisticação do usuário e disposição em se envolver com plataformas digitais são todos fatores relevantes.

Em quarto lugar, a maior facilidade para um tipo de plataforma digital em um país não se traduz automaticamente em facilidade para todos os outros tipos de plataformas digitais. Cada uma delas conta com diferentes alavancas. O comércio eletrônico conta com bases analógicas para atendimento e logística. As regulamentações favoráveis ao comércio eletrônico e a aplicação de leis antitruste ajudam no comércio eletrônico internacional. Quanto à Mídia Digital, as liberdades on-line são um benefício; os países do quartil inferior são cercados por restrições e censura da mídia. Os países no quartil superior da economia compartilhada têm alta disponibilidade de ativos ociosos, infraestrutura e mitigaram a resistência e os protestos de empresas afetadas negativamente pelos serviços da economia compartilhada. Os freelancers on-line se beneficiam da proficiência na língua inglesa, grupos de profissionais altamente qualificados e regimes mais fáceis de cobrança e declaração de impostos.

Por fim, as plataformas digitais são globais. As regulamentações nacionais não são apenas importantes, mas as restrições transfronteiriças quanto à movimentação de dados e regulamentações que regem os fluxos de pagamentos podem determinar o crescimento das plataformas digitais.

Todas essas questões representam possíveis alavancas a que os formuladores de políticas, as empresas e os investidores devem estar atentos e ativar se quiserem impulsionar os negócios digitais em qualquer país.

Nota do editor: Cada ranking ou índice representa apenas uma maneira de analisar e comparar empresas ou locais, com base em uma metodologia e conjunto de dados específicos. Na HBR, acreditamos que um índice bem projetado pode fornecer informações úteis, embora, por definição, seja um instantâneo de um quadro mais amplo. Sempre estimulamos nossos leitores a ler a metodologia atentamente.


Bhaskar Chakravorti é Diretor de Negócios Globais da Fletcher School na Tufts University e Diretor Executivo Fundador do Institute for Business in the Global Context da Fletcher. Ele é autor do livro The slow pace of fast change.


Ravi Shankar Chaturvedi é Diretor Associado de Pesquisa e Pesquisador no Doutorado em Inovação e Mudança no Institute for Business in the Global Context da Fletcher School, na Tufts University.

 

Compartilhe nas redes sociais!

replica rolex