Organização e Cultura

Como evitar danos à integridade

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Ben W. Heineman Jr.

Como garantir que os milhares de funcionários de uma multinacional em centenas de países sigam honestos em um ambiente de altíssima pressão? Diretor-jurídico da General Electric por quase 20 anos, Ben Heineman integrou a alta equipe que tinha essa missão – garantir que executivos e funcionários fossem tão motivados a agir corretamente como são motivados a apresentar resultados.

Heineman descreve uma série de sistemas que combinam a articulação clara de expectativas com supervisão, controles e incentivos. Não há expectativas mais elevadas – e sanções mais severas – do que as válidas para altos executivos. Heineman relata casos de altos dirigentes demitidos por lapsos éticos mesmo quando a expulsão representava um golpe para os negócios – e mesmo quando o indivíduo não tinha conhecimento direto das irregularidades ocorridas sob seu comando.

Para tornar as expectativas claras para todos, a GE sempre definiu padrões universais que se adiantam a desdobramentos na legislação e a mudanças na postura de seus vários públicos em relação aos deveres da empresa. A responsabilidade por implementar tais padrões, integrados às práticas operacionais da GE, pertence aos líderes da empresa em campo.

A supervisão é metódica e multifacetada. Sistemas de auditoria e avaliação permitem a comparação do desempenho de cada divisão com o das demais e com referenciais do setor. O mais forte talvez seja o sistema de ouvidoria, que não só permite mas exige que o funcionário denuncie suspeitas. Furtar-se à obrigação, ou retaliar contra quem a cumpra, é motivo de demissão.

A intensa ênfase na governança por parte do conselho, hoje observada, seria em parte equivocada, diz Heineman. Está na hora de mudar o foco do debate: da supervisão do presidente pelo conselho para o modo como os principais dirigentes da empresa podem fundir, com máxima eficácia, alto desempenho e alta integridade em todos os escalões.