Melhor prática

Uma equipe incapaz de decidir

Melhor prática
Bob Frisch

RESUMO

 

Uma equipe de liderança incapaz de che­gar a um acordo busca no presidente a de­cisão final — e, em geral, fica insatisfeita com o resultado. Frisch chama esse fenômeno de síndrome do ditador-por-exclusão. Muitas empresas recorrem a exercícios de comunicação e fortalecimento da equipe para tentar resolver o problema. Só que isso não funciona, diz o autor, pois o problema não está nas pessoas, mas no processo decisório. Tentar chegar a uma preferência coletiva com base em preferências individuais é complicado por natureza. Ao perceber que a culpa é da matemática do sistema de eleição, a equipe pode parar de perder tempo com exercícios psicológicos irrelevantes e adotar medidas práticas para evitar o impasse. 

 

Para começar, é preciso reconhecer o problema e entender suas causas. Quando há mais de duas opções na mesa, o palco está armado para que o presidente vire um ditador involuntário. E mesmo a escolha entre uma coisa e outra traz dificuldades, pois sempre há uma terceira alternativa implícita: “Nenhuma das anteriores”. 

 

Se entenderem qual a origem do pro­blema, o presidente e a equipe podem adotar as seguintes táticas para minimizar a disfunção: articular claramente o resultado desejado, formular uma série de alternativas para que essa meta seja atingi­da, determinar se obstáculo é “cerca” (que pode ser movida) ou “muro” (que não pode), sondar preferências logo cedo, apresentar prós e contras de cada opção e formular alternativas novas que preser­vem o que as anteriores tinham de melhor. 

 

Ao adotar essas táticas, a equipe deve seguir duas regras básicas. Primeiro, deve garantir que as deliberações sejam confidenciais, pois um clima seguro permite a integrantes da equipe dar sugestões e costurar acordos. Segundo, deve dar tempo suficiente para que esses membros analisem as opções e os argumentos contrários. Só assim pode atingir um verdadeiro alinhamento.