Entrevista

Cisco enxerga o futuro

Entrevista
Bronwyn Fryer e Thomas A. Stewart

RESUMO

 

Há 14 anos no comando da Cisco Systems, John Chambers adquiriu a incrível capacidade de detectar tendências de mercado muito antes que os outros. Previu, por exemplo, que serviços de voz seriam gratuitos muito antes que redes de computadores tivessem a capacidade de transportá-los. E a Cisco foi uma das primeiras a migrar de call centers para o atendimento ao cliente via internet. 

 

Enxergar o futuro é vital para uma empresa que começa a desenvolver um produto até seis anos antes de sua estréia no mercado. Qual o segredo de Chambers? Buscar aquilo que chama de “transições de mercado” — sinais sociais, econômicos ou tecnológicos sutis de uma ruptura iminente. Segundo ele, são sinais que começam a despontar cinco a sete anos antes de o mercado entender seu significado. A migração para o soft­ware de código aberto foi uma transição que Chambers viu e a Microsoft, não. 

 

Logo cedo, Chambers aprendeu a ouvir atentamente o que a clientela dizia e a detectar padrões em seu comportamento — padrões que apontassem para tendências futuras. Mais tarde, percebeu que teria de mexer radicalmente nos processos de gestão da Cisco para tirar proveito desses palpites. 

 

Nesta entrevista, Chambers explica como deixou de ser um presidente autoritário e centralizador e como instituiu um modelo de tomada de decisão colaborativo que permite à empresa reagir com rapidez a novas transições. Hoje, gerentes espalhados pela empresa montam equipes transfuncionais, trabalhando juntos para identificar e explorar novas oportunidades. O modelo permite à Cisco tocar 22 grandes iniciativas de vendas com a mesma eficácia com que a maioria toca uma ou duas.