David McCullough  já ganhou dois prêmios Pulitzer. Autor de vários livros, entre eles 1776: a história dos homens que lutaram pela independência dos Estados Unidos e John Adams, McCullough diz não se considerar especialista em nada (“Quando a pessoa acha que é, aí começam seus problemas”). Aos 79 anos, o historiador americano se diz “animado” para começar o próximo livro. Entrevista a Scott Berinato

HBR: Os Estados Unidos estão em um momento decisivo de sua história?

McCullough:  Não. Temos problemas sérios, mas sugerir que desta vez a situação é mais complicada do que em outros momentos é errado. Nunca houve dias mais simples. Imagine estar no país em 1918, com 500 mil pessoas dizimadas por uma doença que ninguém sabia de onde veio ou como curar. Eram dias mais simples? E o que dizer da Guerra Civil ou da Grande Depressão?

O que faz de um presidente um grande líder?

A capacidade de elevar um pouco mais nossa visão. Alguém capaz de nos convocar a fazer sacrifícios, em vez de prometer mais e mais. Alguém que possa dizer que não vai tornar nossa vida mais fácil. Alguém que diga que irá torná-la mais difícil, pois temos tarefas difíceis pela frente.

Um presidente moderno pode liderar assim?

Ninguém mais pode exercer essa função plenamente. Um presidente excepcional é só isso: a exceção. Quantos foram realmente grandes? Uns seis, sendo generoso. Não dá para saber ao certo quem vai ser o mais adequado para o posto. Dentre todos aqueles que foram presidente um dia, Herbert Hoover provavelmente tinha o currículo mais promissor, mas era o homem errado para o momento.

Cite uma lição de liderança do presidente americano Harry Truman.

Quando cogitava o nome de George Marshall para secretário de Estado, um de seus conselheiros disse: “Se você indicá-lo, vão dizer que ele seria um presidente melhor do que você”. E Truman disse: “Ele seria um presidente melhor. Mas o presidente sou eu, e quero a meu redor os melhores”.

O senhor disse que a história é crucial para a liderança, mas cada vez mais ignorada pelos americanos.

O declínio no conhecimento de nossos estudantes sobre a história é um problema muito sério. Todo mundo precisa entender a história. Precisamos entender a relação de causa e efeito. Bruce Cole, antigo chefe do National Endowment for the Humanities, disse que a questão era um problema de segurança nacional. É como se sofrêssemos de amnésia.

Como saber que um líder é especial?

A história leva tempo. Mas é importantíssimo examinar como a pessoa lidou com o fracasso. Ficou destroçada? Começou a choramingar e a culpar os outros? Ou se levantou e seguiu em frente? O tema de minha obra é a coragem e realizações de valor.

A seu ver, escrever é uma empreitada solitária?

Não, é colaborativa! Digo aos alunos que não é só livros que são importantes, são as pessoas. Vá falar com elas. Diga o que você está tentando fazer. Nunca se sabe quem vai dizer algo de valor. “Ah, você está escrevendo sobre o Lindbergh? Conheço uma pessoa com uma coleção de fotografias.” Isso acontece a toda hora.

O senhor pensa em se aposentar?

Acabei de começar a escrever um livro sobre Paris e o nascimento da aviação, e mal posso esperar para sair da cama pela manhã. Quando os fundadores [dos Estados Unidos] escreveram sobre a vida, a liberdade e a busca da felicidade, não estavam falando de férias mais longas e redes mais confortáveis. Era a busca de conhecimento que tinham em mente. A busca do aprimoramento e da excelência. É no trabalho que está a felicidade.

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