Convivo com vários jovens estudantes. Alguns trabalham e estudam. A considerar sua idade, todos da chamada geração Y. Não que acredite plenamente nas generalizações que são feitas ou em todas as “verdades” a respeito desta ou daquela geração de profissionais. Tenho exemplos por perto que me fazem crer na criatividade, empreendedorismo, garra e ambição que se atribui àqueles da geração Y. 

Por ocasião de um evento de RH, o tema geração Y veio à tona; não exatamente nos painéis que foram apresentados, mas à mesa, na hora do almoço. 

Curioso observar que do grupo de oito profissionais emergiram percepções diferentes das minhas a respeito dos da geração Y. 

Uma das principais características atribuídas aos Y é a sua capacidade de fazer várias coisas ao mesmo tempo. Tamanha concentração neste processo multitarefa e a correlata administração do tempo sempre me pareceram fantásticas! Será? Pelo que ouvi naquela mesa, abrem várias frentes, mas deixam diversas por fechar. São os cursos de inglês, as aulas de violão, os livros, interrompidos e não mais concluídos. Tarefas concluídas, segundo meus pares, poderiam tê-lo sido bem melhores. 

O empreendedorismo e a objetividade, focando sua carreira no seu bem-estar, na satisfação em fazer que gosta, quando gosta e o aparente desejo em aprender acabaram fazendo com que os Y sejam percebidos como arrogantes, imaturos e indolentes. Imagem que contrasta com a de executivos de sucesso que imaginamos cada um deles será. 

Será? Vejamos: nem todos os nascidos entre 1977 e 2000 são Y, assim como nem todos os que nasceram entre 1960 e 1980 são X. A generalização traz riscos. 

Vejo pessoas com seus 40, 50 e 60 anos que realizam várias coisas ao mesmo tempo, são generalistas, carregam seus iPhones e passaram (ou se adaptaram) a olhar com mais carinho a vida fora da empresa, ou seja, passaram a pensar também na vida pessoal. E o pior (ou melhor) disto tudo é que muitos deles já não têm o mesmo vigor físico, mas sim calvícies cultivadas a anos e rugas que não me deixam mentir. Acredito que o imediatismo os leva a ser utilitaristas; não construtivistas. 

Por outro lado, vemos também idosos ‘’morando’’ em jovens que, apesar das possibilidades de informação como nunca se teve, emprestam seus corpos para habitar um perfil velho, como um ‘’Benjamin Button’’ nos tempos das redes sociais. 

Para finalizar, não tenho o interesse de defender este ou aquele ponto, se uma geração é melhor ou pior, porém no ambiente corporativo e universitário vemos, como nunca, jovens maravilhosos mexendo com os pilares da administração, trilhando seus próprios caminhos, se expondo e quebrando barreiras. Nunca se viu tantas empresas incubadas em Instituições de Ensino Superior. 

Ok, podem ser imediatistas e sem expertise (não é possível com 18 anos), mas brilhantes e impacientes assim como os melhores profissionais que tive o prazer de trabalhar num momento em que X e Y eram apenas letras do alfabeto. 

* André Acioli (acioli@botecodoconhecimento.com.br) é mestre em Administração pelo Coppead/UFRJ, professor, consultor de empresas e fundador do Boteco do Conhecimento. Além de ministrar aulas pela Mackenzie Rio e pelo IBMR-Laureate, conduz palestras e treinamentos sobre os temas Gestão, Marketing, Negociação e Relacionamento. Desde julho de 2012 é blogueiro da Harvard Business Review Brasil. 

* Augusto Uchôa (uchoa@botecodoconhecimento.com.br) é graduado em Comunicação Social pela ESPM, mestre em Administração de Empresas pelo Ibmec-RJ com especialização em Marketing, doutorando pela Coppe/UFRJ, consultor de empresas e fundador do Boteco do Conhecimento. Atualmente ministra aulas pelo IBMR-Laureate e palestras sobre os temas Marketing, Negociação, Serviços e Relacionamento. Desde julho de 2012 é blogueiro da Harvard Business Review Brasil 

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