Desde que a civilização humana existe, a política faz parte de nossa vida. No ambiente corporativo ela é uma questão de sobrevivência, pode influenciar o sucesso ou o fracasso de uma história profissional, mesmo no caso de quem tem boas entregas e alcança resultados diferenciados.

Margaret Morford, em seu livro “The Hidden Language of Business”, mostra o quanto a política, a capacidade de influenciar e o poder atuam na agenda oculta e na linguagem secreta dos negócios. E como essas forças agem na construção de uma carreira, para o bem e para o mal, levando ao sucesso ou ao fracasso. Segundo a autora, ser político virou sinônimo de manipulação da vontade do outro, de comportamentos negativos e de não falar a verdade. Por outro lado, ser politicamente correto, implica falar de modo certo. Não por termos aqueles valores ou acreditar naquelas palavras, mas porque aquele é o discurso aceito. São as palavras necessárias. Chega à cena, então, a ideia da politicagem, que remete à falsidade, dos ambientes onde é melhor não trabalhar.

Ninguém defende a falta de ética nem a luta pelo sucesso a qualquer preço. Até porque, não se iluda, sempre haverá um preço. Mas a menos que você seja um eremita, a política fará parte de sua vida, de uma forma ou de outra, a todo momento, ainda mais em um ambiente profissional. Uma empresa é um organismo vivo, dinâmico. E como tal, está em constante evolução. Todos em uma organização têm uma agenda e estão buscando colocá-la em prática, da maneira mais eficiente possível.

É assim com os níveis gerenciais e de supervisão. É assim ainda mais com os executivos mais sêniores. Todos têm metas a cumprir. E, em paralelo, todos têm uma carreira a gerenciar. Ao longo de minha vida assessorando executivos em diferentes fases de transição profissional, poucas vezes vi algum ser dispensado por questões de competência. A falta de habilidade política e comportamento em desalinho com a cultura e os valores da empresa pautaram muitas das dispensas que acompanhei. A justificativa quase nunca é explícita. Muitas dessas demissões tiveram como discurso de saída a busca de novos desafios, motivos pessoais, a intenção de fazer um período sabático e outros.

O fato relevante é que quanto mais se sobe na carreira, mais diplomático é preciso ser. Um executivo precisa ter habilidade política, inteligência emocional e social, de forma a conseguir inspirar pessoas. Minha sugestão é que ele aprenda a ouvir cada vez mais os seus pares, sem monopolizar reuniões, tenha interesse genuíno em compartilhar visões. Um gestor precisa entender que em uma organização existem alianças e animosidades entre as pessoas. Não cabe a um executivo se envolver em conflitos, porque com o tempo as pessoas acabam por resolvê-los.

Ao conhecer melhor cada divisão e área da empresa e como as pessoas se comunicam, o executivo terá mais condição de desenvolver empatia e se comunicar com os interlocutores desses departamentos, criar vínculos profissionais e canais de comunicação mais eficientes.

Esqueça o mantra que muitos profissionais costumam repetir de que “eu não vão atuar em jogos políticos”. Entender essa competência e saber exercê-la irá ajudá-lo a influenciar pessoas para uma melhor decisão. Política é muito diferente de politicagem. Politicagem é algo intimamente ligado a interesses pessoais, algo em benefício próprio, movido por desespero, que funciona, quando muito, em curto prazo. Política constrói pontes e estratégias, ajuda a atingir metas. Pense nisso como forma de construir um legado profissional. Fazer política não é vencer a qualquer custo e se vangloriar pela derrota alheia. É manter relacionamentos e conseguir resultados ao mesmo tempo.

 

 Karin Parodi, CEO da Career Center.

Share with your friends









Submit