Gênero

Como as mulheres podem desenvolver – e promover – sua marca pessoal

Dorie Clark
10 de abril de 2018
marca

Todos sabem o valor de uma marca pessoal forte, já que uma boa reputação pode colocar a pessoa no radar de oportunidades de carreira emocionantes. Quando seus verdadeiros talentos são conhecidos, é muito mais provável que você seja aproveitado em tarefas relevantes e interessantes – e isso ajuda você a se destacar em um campo repleto de concorrentes. Pesquisas de Sylvia Ann Hewlett no Center for Talent Innovation mostram que cultivar sua marca pessoal é uma das melhores maneiras de atrair um “padrinho” profissional – e profissionais com padrinhos têm chance 23% maior de serem promovidos. Sua marca também é uma proteção poderosa contra a adversidade profissional. Se houver demissões ou cortes em sua empresa, é muito mais provável que você seja contratado rapidamente por outra empresa se for reconhecido em sua área.

Mas a marca pessoal coloca alguns desafios únicos para profissionais do sexo feminino. As pesquisas mostram repetidamente que as mulheres estão sujeitas a um fenômeno conhecido como “enigma da simpatia”. As normas de gênero presumem que as mulheres devem ser agradáveis, afetuosas e cuidadosas, e, quando violam essas normas – por exemplo, quando tomam uma decisão dura, são incisivas, ou fazem auto promoção –, são muitas vezes penalizadas por esse comportamento de uma maneira que os homens não seriam. Não é difícil lembrar de exemplos de mulheres que foram criticadas publicamente por serem “muito agressivas”, rotuladas como “frias” ou mesmo com termos ofensivos.

Então, como uma mulher pode lidar com esse problema e desenvolver uma marca pessoal robusta? Seguem três estratégias que podem ajudar a garantir que seus talentos sejam reconhecidos.

Faça networking dentro e fora da empresa. Muitos profissionais exageram no “capital de ligação” – para usar um termo popularizado pelo sociólogo Robert Putnam, de Harvard – e investem pouco no “capital ponte”. Em outras palavras, eles têm muitas conexões parecidas com eles (trabalham na mesma empresa ou no mesmo setor) e muito poucas que sejam diferentes.

Quando apenas um grupo seleto sabe de seus talentos e habilidades, você se coloca em risco. Menos pessoas podem falar sobre suas contribuições ou oferecer apoio, seja para ajudar a obter recursos adicionais para um projeto importante ou para mudar para uma nova função. E se o seu departamento for reorganizado ou se ocorrerem demissões, as pessoas que conhecem seus talentos não poderão ajudar.

Em vez disso, cultive uma ampla rede de contatos. Assim, se sua situação mudar ou você precisar de uma segunda opção, você tem a quem recorrer. Por exemplo, você pode fazer contatos profissionais com pessoas que você conhece em atividades de lazer, relacionamentos de proximidade (por exemplo, vizinhos ou pais na escola de seus filhos) ou amigos de amigos.

Controle sua narrativa. Muitas vezes, assumimos que, se trabalharmos duro, com o tempo, as pessoas perceberão isso, ou que, se fizermos uma transição, as pessoas entenderão isso intuitivamente. Mas, as pessoas estão tão sobrecarregadas hoje em dia que, infelizmente, isso quase nunca acontece. Elas não prestam atenção suficiente em nós ou em nossa trajetória profissional para formular uma narrativa coerente a nosso respeito. Pior ainda, elas podem fazer suposições imprecisas – digamos, que suas habilidades devem estar totalmente desatualizadas, já que você saiu de férias depois de ter um filho, ou que você mudou para cargos funcionais porque estava entediado ou não aguentava mais – o que poderia acarretar a perder de oportunidades de crescimento.

Ajude os outros a conhecer sua verdadeira trajetória desenvolvendo um argumento claro e conciso que explique como suas habilidades anteriores se conectam e agregam valor ao que você faz agora. Torne essa conexão explícita, em vez de esperar que os outros descubram por conta própria.

Para começar, coloque as ideias no papel. De um lado, anote seu cargo ou experiência anterior. Do outro lado, anote o trabalho que você ocupa atualmente. Em seguida, encontre o tecido conjuntivo que os conecta.

Por exemplo, suponha que seu passado seja “diretor de RH” e seu presente “líder de vendas regional”. Alguém de fora pode não ter ideia da relação entre esses dois cargos e assumir que sua trajetória de carreira é um pouco aleatória. Mas, em sua experiência no RH, você aprendeu como ouvir de forma empática, entender o que motiva as pessoas e desenvolver soluções vantajosas para todos, que são ingredientes perfeitos para o sucesso em vendas. Quando você compartilha isso com os outros, eles quase sempre o entenderão e reconhecerão as habilidades únicas que você traz para seu cargo e para a empresa.

Um argumento claro e conciso não é útil apenas para momentos em que você procura emprego. Há muitas ocasiões para moldar a forma como você é percebido pelos outros, mas a maioria das pessoas perdem essas oportunidades. Por exemplo, novos conhecidos geralmente perguntam quanto tempo você ficou em seu trabalho ou como você chegou à sua área atual. Ter uma resposta sucinta pronta significa que você pode transformar a pergunta em uma oportunidade de, sutilmente, destacar suas habilidades: “Comecei em RH e trabalhei para ser diretor. Mas, fiquei fascinado com o processo de vendas e percebi que as habilidades de escuta e a capacidade de se conectar com as pessoas que eu desenvolvi no RH me possibilitaram agregar valor real à empresa, então fiz a transição no ano passado e agora sou o chefe de vendas da região nordeste.” Você não definiu apenas o título de seus cargos, você forneceu um contexto que transmite uma marca pessoal forte.

Da mesma forma, nas avaliações de desempenho, você pode lembrar seu chefe de como você está aproveitando os pontos fortes que desenvolveu ao longo do tempo. Por exemplo, você pode atribuir o aumento de vendas verticais no ano ao trabalho de desenvolvimento das habilidades de escuta de sua equipe para que elas sintonizem melhor com as necessidades do cliente.

Compartilhe suas ideias publicamente. Ser discreto e deixar seu trabalho falar por si mesmo pode lhe proporcionar uma boa reputação entre as pessoas com quem você trabalha de perto. Mas, esse é um número relativamente limitado de pessoas. Indivíduos em outros departamentos ou líderes muitos níveis acima podem não estar cientes de suas contribuições. E qualquer alteração de pessoal pode perturbar o capital de reputação que você construiu arduamente. Seu novo chefe ou seus colegas, que não possuem experiência pessoal com você, talvez não tenham a menor ideia de sua qualidade.

Muitas mulheres podem se sentir desconfortáveis falando sobre suas realizações e fazendo autopromoção direta. Mas há outras maneiras de mostrar seus conhecimentos ao construir uma marca. A criação de conteúdo é uma boa maneira de compartilhar suas ideias e construir uma ampla reputação positiva. A mecânica específica difere de acordo com as políticas da empresa (o uso das mídias sociais pode ser limitado em certos setores regulados, por exemplo), mas em quase qualquer organização há maneiras de demonstrar seu conhecimento e ajudar os outros.

Por exemplo, você pode oferecer um almoço-aula sobre um tópico que você está pesquisando, escrever para o boletim informativo da empresa, oferecer conselhos ou responder a consultas na intranet corporativa. Muitos profissionais ignoram essas oportunidades, assumindo que são distrações do “trabalho real” ou afirmando, zombeteiramente, que ninguém presta atenção nelas. Mesmo que essas oportunidades não sejam populares entre seus colegas, quem está no topo quase sempre presta atenção, pois veem esses canais como veículos importantes para transferir conhecimento e compartilhar as melhores práticas. Um amigo da minha faculdade, por exemplo, quando trabalhava como funcionário de vendas em um grande varejista, entrou em uma troca de mensagens privadas com o CEO da empresa – e acabou ganhando uma viagem à sede – como resultado de uma de suas postagens na intranet corporativa.

A criação de conteúdo também pode abrir oportunidades completamente inesperadas, incluindo novos empregos. Miranda Aisling Hynes, cujo perfil está no meu livro “Stand Out” (Destaque-se, em tradução livre), publicou por conta própria um livro sobre criatividade que ela deu a um amigo que trabalhava em uma organização artística. Ele gostou e passou para o seu supervisor. Quando Hynes mais tarde se candidatou a um emprego na organização, sua vaga estava garantida porque o livro já havia estabelecido sua credibilidade.

O branding pessoal é um incômodo para muitos profissionais – ninguém quer parecer um auto-promotor inseguro. E com o enigma de simpatia, construir relações significativas e uma forte reputação no trabalho é ainda mais complicado para as mulheres.

Mas, sem controlar nossa própria narrativa e mostrar ao mundo nossa possível contribuição, a probabilidade de ser notado é muito pequena. Seguindo essas estratégias, você aumenta dramaticamente as chances de que seus verdadeiros talentos sejam conhecidos, reconhecidos e apreciados.
—————————————————————————–
Dorie Clark é estrategista de marketing e palestrante profissional que leciona na Fuqua School of Business, na Duke University. Ela é a autora de “Entrepreneurial You”, “Reinventing You”, e “Stand Out”.

Compartilhe nas redes sociais!

Posts Relacionados