De acordo com a Wikipedia, mindfulness, em português, se traduz como atenção plena, mente alerta ou ainda consciência plena. Se formos rigorosos com a origem da palavra, mindfulness significa a essência da corrente de medição Vipassana. Enquanto outros tipos de medição budistas objetivam esvaziar a mente de qualquer raciocínio consciente ou dirigir a atenção a uma imagem ou ideia única, os praticantes da Vipassana buscam, de maneira não crítica, ganhar consciência de todos os pensamentos e emoções vivenciados no momento.

Atenção: esta filosofia rica e delicada não poderá ser explicada em detalhes em apenas algumas linhas. O objetivo aqui é apenas expor o conceito àqueles que se interessam pelo tema ou já ouviram falar porém não sabem o que mindfulness significa na prática. Pessoalmente, acredito que a prática frequente da meditação Vipassana pode trazer mais foco, calma e energia à mente e ao corpo. Especificamente, os seguidores da Vipassana acreditam que nossas mentes estão constantemente ocupadas em reprocessar o passado ou antecipar o futuro, permitindo pouco tempo e energia para realmente viver no presente. A teoria vem à prática através de exercícios simples que podem ser praticados por qualquer um em qualquer lugar. O princípio é se concentrar na respiração, por exemplo, e indiretamente aumentar a ciência do que se passa pela mente, sempre de forma não crítica e desapegada.

Apesar de uma vida monástica dedicada exclusivamente à contemplação do momento estar anos luz do mundo onde a maioria de nós vive – leia-se correria, agitação, e-mails, pressão (externa e interna) -, há um interesse crescente de como os princípios dessa prática podem ser aplicados a nossas vidas de forma pragmática e realista. A psicóloga e professora americana Ellen Langer estuda mindfulness há uns bons anos, e sua principal teoria é de que a prática exerce um papel importante no processo de aprendizado. Para ela, meditar frequentemente aumenta a capacidade de enxergar o mundo através de ângulos constantemente novos. Novos ângulos, claro, exigem curiosidade e comprometimento, além de desapego de conceitos do passado.

Desapegar de ideias antigas, ela alerta, é especialmente difícil porque possivelmente essas “ideias” já fazem parte do nosso DNA e não nos damos conta delas. Com maior ciência do que sabemos e do que não sabemos nos tornamos mais abertos e criativos a soluções novas.

Meditação & Liderança

Em março deste ano um importante jornal americano dedicou uma página a este tópico: qual a interface entre mindfulness e liderança? Quem respondeu foi Bill George, professor da Harvard Business School, ex-CEO de empresa bilionária, e forte defensor de um estilo de vida produtivo, criativo e autêntico. Bill argumenta que o assunto está tão em evidência que no último Forum Econômico Mundial de Davos a palestra mais concorrida foi a do monge budista Matthieu Ricard. Este último, francês e cientista com doutorado no ocidente, é conselheiro científico para o Dalai Lama e autor do livro Arte de Meditar.

O que está causando esta mudança dramática na forma como pensamos sobre o que é preciso para ser um líder efetivo hoje? Bem, começa com as mudanças que estão ocorrendo no mundo. Vivemos numa era onde a globalização e o avanço das mudanças tecnológicas criam volatilidade, incerteza, caos e ambiguidade. Esse impacto cresce exponencialmente através de um mercado de trabalho em constante transformação e o novo mundo onde a comunicação está presente 24 horas por dia. Sete dias por semana.

Vejam que interessante: empresas como Google, General Mills, Genentech, Target e Cargill, por exemplo, desenvolveram programas de treinamento para os seus funcionários focando em mindfulness e liderança. Os benefícios esperados (e alcançados) resumem-se em gestores mais criativos, focados e determinados. A palavra correta é resiliência, mas outros adjetivos ajudam a colorir o impacto da prática de meditação.

Seguindo o Professor George, a prática de meditação por 20 minutos diários (eu pratico 10 e acredito já fazer efeito) é essencial para aumentar sua efetividade e sensação de bem estar. Ele o faz desde 1975, e o resultado pode ser medido através de seu currículo.

A meditação me permite esquecer coisas pouco importantes e focar com clareza nos assuntos relevantes. Minhas ideias mais criativas vêm da meditação. Ainda, a meditação melhora o meu nível de energia e me permite ter mais compaixão ao outro, afirma Bill.

Veja bem, não é apenas ficar sentado por 10-20 minutos ao dia, todos os dias, que lhe traz o benefício da consciência plena. A prática regular da oração, manutenção de um diário, discussões interessantes e íntimas com pessoas próximas, e exercícios solitários como corrida, caminhada ou natação nos fazem viver o presente. O mais importante é ter uma forma de prática introspectiva que permita acalmar a mente e focar no que realmente importa.

Avançando em direção ao “o que eu posso fazer?”, fica a sugestão, comprovada cientificamente, da prática de meditação por 10 minutos diariamente. O importante é ter disciplina e seguir o plano independentemente do contexto. Estabeleça a sua rotina como for melhor. Pessoalmente, funciona bem pela manhã, após o banho e antes do café da manhã. Ter uma cadeira ou almofada exclusiva à prática também ajuda. E para os novatos, a meditação guiada é uma excelente ferramenta para ajudar a “domar” a mente.

 

Alex Anton é MBA pela Harvard Business School e tem no seu currículo empresas como Nestlé e McKinsey & Company. Já morou e trabalhou no Canadá, Alemanha, Suíça, Indonésia, Estados Unidos e China. Além disso, é entusiasta da meditação, fotografia e corrida. Suas ideias podem ser conferidas no blog www.transforme.is .

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