A empresa brasileira inspirada no modelo de negócio do Vale do Silício criou um sistema de gestão para pequenos empresários e vem crescendo ano após ano desde sua fundação, em 2011.

Tomamos decisões rápidas e assertivas para responder ao que acontece lá fora. Essa é a melhor maneira de proteger nosso negócio para aqueles que trabalham aqui, para nossos
clientes e investidores.”

Foi assim que Vinícius Roveda, CEO da ContaAzul, terminou uma de suas reuniões semanais com todos os funcionários.

A frase revela muito da cultura da ContaAzul, que atraiu o interesse de grandes investidores como Dave Mcclure, da 500startup, e Peter Thiel, fundador daPaypal e da Valar Ventures.

De 2013 para 2014 a empresa cresceu 170%, no ano seguinte 112%, e para 2016 a meta é de no mínimo dobrar de tamanho, mais uma vez. O sistema ContaAzul começou em 2011 com apenas os sócios fundadores. Agora são quase 300 pessoas que trabalham juntas por uma causa: o melhor sistema de gestão que o pequeno empreendedor brasileiro pode encontrar.
É exatamente esse o ponto onde está a mais provável razão do crescimento rápido e sustentável: o propósito abraçado por todos que fazem parte do negócio.

“Nós buscamos pessoas que estejam alinhadas com o nosso propósito, que entendam o impacto que podemos causar na vida de milhões de empreendedores no Brasil e o desafio de nos tornarmos a maior empresa do mundo nesse segmento até 2023”, explica Rodrigo Miguel, coordenador de engenharia.

O mercado da ContaAzul
De acordo com dados recentes da Receita Federal, mais de 10 milhões de empreendedores optaram pelo Simples Nacional, de um total de quase 16 milhões. Juntos, produzem riqueza superior a R$ 840 bilhões. Dados do Sebrae dão conta de que as microempresas e as pequenas empresas brasileiras representam 27% do PIB nacional, 52% dos empregos com carteira assinada e 40% dos salários pagos no país.

O segmento de sistemas de gestão para pequenas empresas é liderado pela ContaAzul, que possui a maior fatia de mercado, bem como maior audiência em todos os canais de comunicação online, maior quantidade de investimentos em produção de conteúdos e material educacional, bem como desenvolvimento do produto (ver quadro “Blogs de sistemas de gestão mais lidos pelos empreendedores”.)

Gestão 3.0 e a agilidade para se adaptar
Em janeiro de 2016 uma nova regra do governo brasileiro para o cálculo do ICMS tornou a vida dos empreendedores mais burocrática. Para uma nota fiscal ser emitida em conformidade com a novidade tributária, o empreendedor pode levar de 45 minutos a uma hora. Para entender o impacto disso na produtividade, imagine, por exemplo, mil empreendedores fazendo esse trabalho: eles gastariam 750 horas, ou 31 dias e 6 horas somente nessa tarefa, tempo este que poderia ser aproveitado em atividades que agregam valor.

Sem que ninguém precisasse dar nenhum comando — nem mesmo aprovar nada — funcionários da ContaAzul se mobilizaram. Para chegar a uma solução que resolvesse esse problema foi preciso entender as regras específicas de cada unidade federativa do Brasil. E foi imprescindível o trabalho de engenheiros, profissionais de marketing e de produtos, especialistas em contabilidade, designers etc.

Trabalhando dessa forma, os funcionários criaram o GeraGNRE.com, a primeira e única solução 100% gratuita que torna possível ao empresário entrar em conformidade com a nova norma em apenas 30 segundos, em vez dos 45 minutos. Atualmente, cerca de 2 mil empreendedores utilizam a ferramenta.

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Um time que chama para si a responsabilidade de tomar decisões estratégicas acerca de um tema que influencia a economia nacional e, também, o core business da empresa é um fenômeno chamado “empoderamento de times”, um dos efeitos da prática da Gestão 3.0, adotada pela ContaAzul.

Trata-se de um movimento de inovação, liderança e gestão. Uma das propostas mais arrojadas da metodologia está na redefinição da responsabilidade de liderança e gestão: é dever do time trabalhar em conjunto para encontrar a maneira mais eficiente de atingir os objetivos do negócio.

Uma estratégia que a ContaAzul utiliza para levar adiante essa proposta é montar times multidisciplinares. A empresa montatimes compostos de engenheiros, analistas de negócio, designers, analistas de dados e profissionais de marketing. Cada time é responsável pela execução do projeto do início ao fim, mirando as metas do negócio.

“Em vez de termos departamentos trabalhando para realizar tarefas, nossos times estão focados nos resultados. O que quero dizer com isso é que o foco é sempre nos objetivos-chave da empresa; uma tarefa pode ter seu escopo alterado, ser adiada ou mesmo cancelada em virtude da necessidade de adaptarmos nossas ações para chegarmos aonde queremos. Isso faz com que as pessoas estejam ligadas diretamente ao propósito de cada ação, mais do que nas pequenas tarefas a ser executadas”, explica um dos sócios da ContaAzul, Marcelo Santos.

Agilidade em prática
Agile é um conjunto de práticas voltadas para entregar projetos.

“Todas as equipes da ContaAzul colocam o Agile em prática, e em áreas de negócio nas quais a prática não é tradicional, como marketing. Dessa forma, nós nos tornamos mais adaptáveis e aptos para lidar com incertezas e imprevistos”, explica Anderson Borges, chief product officer.

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Tal dinâmica requer indivíduos que equilibrem autonomia com capacidade de agir em equipe, que possam trabalhar de forma a acompanhar mudanças repentinas sem perder o alinhamento com os objetivos do negócio.

Uma das formas de garantir a autonomia necessária é separar a liderança estratégica da liderança pessoal. Na maioria dos times o líder estratégico não tem posição hierárquica. Isso garante que todos os envolvidos questionem, duvidem e participem ativamente da elaboração das estratégias. O líder estratégico precisa convencer o time de que aquele é o melhor caminho a ser seguido. Paralelamente, existe um líder de pessoas para ajudar o time a manter o melhor desempenho possível e os indivíduos a evoluir na carreira.

Cultura baseada em valores
A cultura da ContaAzul cria um forte ciclo: as pessoas absorvem valores, que são a base para a manutenção da cultura e do alto desempenho dos times. E sem que seja necessário explicar, os próprios indivíduos incentivam uns aos outros a incorporar tais valores. Os embaixadores da cultura são os próprios funcionários. Algumas práticas facilitam essa dinâmica.

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Um dos rituais é a festa de Objectives and Key Results, ou OKRs, um importante medidor de sucesso de uma empresa conforme o modelo de negócio evangelizado no Vale do Silício, celeiro da ContaAzul. Ansiosamente aguardadas por todos os funcionários, essas celebrações trimestrais se realizam se os OKRs são atingidos. Outro evento é o chamado Dia D, que é bimestral. Um tema é escolhido e todos vão fantasiados de acordo. No fim do expediente há uma animada festa a fantasia.

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Um dos momentos importantes para a manutenção da cultura é chamado de “imersão”, que é mensal. Todos os novos funcionários são reunidos e passam por esse processo. O CEO e os demais sócios da empresa, juntamente com os líderes, são os primeiros na cadeia “os mais velhos ensinam os mais novos”. Os que não se sentem confortáveis com o desafio apresentado são encorajados a deixar a empresa, que ainda lhes oferece uma gratificação.

Outro momento crucial relacionado à imersão é a reunião semanal de alinhamento, do CEO e os líderes, na qual é explicada a situação dos negócios e se responde a quaisquer perguntas, que podem ser feitas na hora ou enviadas anonimamente antes do encontro.

A cultura organizacional é o meio pelo qual os próprios integrantes dos times cultivam uma atitude de alto desempenho cujo catalisador são os valores da ContaAzul. Dessa forma a empresa consegue navegar por cenários de incerteza, complexidade e crise, com adaptabilidade e ritmo de crescimento arrojado.

Leonardo Camacho é head de Brand Marketing da ContaAzul.

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