Planilhas do Excel, slides do PowerPoint, análises complexas, reuniões diversas e lá sai ele, cheio de clareza e direção: o mapa estratégico de uma unidade de negócio, de uma organização inteira, ou de sua própria vida. Independentemente do meio, o fim é claro: ter uma direção e evitar passividade e inércia. Um mapa estratégico é, como dizia um professor de Harvard, uma oportunidade de aprendizado já que a realidade sempre poderá ser contrastada com o que foi colocado no papel no passado, dando substrato a uma boa conversa. Por que tais premissas foram utilizadas ontem e por que elas não são mais verdade hoje?

Claro que o mundo, e a vida, não são lineares ou previsíveis quanto às vezes gostaríamos, então as previsões do passado, mesmo que solidamente analíticas e pragmáticas, dificilmente refletirão 100% da realidade presente. Assim, o destino final do mapa estratégico corre o risco de tornar-se irrelevante com o tempo, o que é naturalmente esperado. O problema é quando os “navegadores” desse mapa não estão atentos as oportunidades espontâneas e imprevisíveis que o caminho oferece, não questionando frequentemente a relevância do destino final no cenário atual. Ouvimos e lemos com frequência que na natureza, e em business, os que mais evoluem são os que melhor se adaptam ao ambiente em constante mutação, e isso se aplica bem no contexto de mapas estratégicos. O maior risco é tratar estratégia, pessoal ou corporativa, como um destino fixo e permanente.

No mundo corporativo não faltam exemplos de empresas que quebraram por desconsiderar o que estava acontecendo nas ruas em detrimento de slides produzidos no passado. Um exemplo clássico, recente e conhecido por todos é a Kodak, que desconsiderou a evolução da concorrência e a dinâmica de preferência do consumidor, insistindo que a melhor direção era focar em fotografia analógica, com filmes. Por ser grande e pesada demais, os navegadores da Kodak não tiveram a agilidade necessária para se adaptar quando perceberam que aquele destino não fazia mais sentido, e assim a empresa que brilhava há 10 anos atrás quase declarou falência em 2012, matando ou vendendo boa parte das suas unidades de negócio.

Mas também existem as histórias de empresas com roteiro para chegar em A e que no caminho perceberam que B seria bem melhor, e pra lá seguiram e foram felizes. Um exemplo interessante é do Post-It, da 3M. Os bloquinhos de anotação com cola nas costas foram um errado que deu certo. O plano era chegar numa cola extraforte, que foi testada num pedaço de papel e grudada na parede para observar sua durabilidade. O resultado já sabemos: a cola era fraca demais para ser chamada de “forte”, porém “forte” o suficiente para permitir que aquele pedaço de papel fosse colado e recolado várias vezes. Surgiu o Post-It, uma inovação simples porém impactante.

Traduzindo tudo isso para estratégia de carreira e vida, a mesma analogia pode ser utilizada: foco apenas no destino pode mascarar as oportunidades de redirecionamento mais interessantes. Olhando minha própria carreira observo que sempre tive metas ambiciosas, mas elas mudaram, e ainda mudam, frequentemente de acordo com o que aprendo sobre o mercado, o mundo e mim mesmo. Comecei querendo ser um cientista de sucesso, com publicações em revistas de peso e respeito pelos meus pares; entendi que aquele destino não seria o melhor pra mim e mudei os rumos, seguindo em direção a inovação técnica no mundo corporativo. Trabalhar numa multinacional gigantesca, na Suíça, foi fascinante, e certamente me vi ocupando posições de poder e influência dentro do meu nicho. Porém o caminho me mostrou que sou mais produtivo e realizado discutindo e fazendo acontecer muito além da área técnica, e foi por isso que embarquei rumo ao MBA de Harvard. E o meu mapa, sempre na versão rascunho, continua sendo editado.

Por fim, concordo com o que um outro professor do MBA defendia: “quando você está perdido, qualquer mapa te ajudará”. Para evitar que seu mapa, pessoal ou corporativo, seja ditado por quem tenha menor conhecimento de causa, vale a pena estudar e questionar o mercado (ou seu contexto), atentando para pontos fortes e fracos, e traçar uma direção. Afinal, como recomenda a Organização Mundial da Saúde (OMS), caminhar é preciso!       

 

Alex Anton é MBA pela Harvard Business School e tem no seu currículo empresas como Nestlé e McKinsey & Company. Já morou e trabalhou no Canadá, Alemanha, Suíça, Indonésia, Estados Unidos e China. Além disso, é entusiasta da meditação, fotografia e corrida. Suas ideias podem ser conferidas no blog www.transforme.is 

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