Criatividade é uma das características mais mencionadas em listas de competências desejáveis para um líder ou profissional em geral. Mas o que significa criatividade no mundo corporativo? Independentemente do que esteja no dicionário ou até mesmo qual seja o significado etimológico da palavra, no mundo corporativo criatividade deveria significar a capacidade de apresentar soluções alternativas para problemas conhecidos e saídas inovadoras para novos problemas.

Certa vez, o CEO de uma empresa de transportes que havia acabado de assumir o comando em um momento de crise se encontrava diante do seguinte desafio: como conseguir fundos para pagar os altos custos das apólices de seguros de sua frota de caminhões? Todas as alternativas mais comuns como empréstimo em bancos, corte de funcionários ou venda de ativos já haviam sido exploradas por sua equipe e apesar de serem potencialmente factíveis, poderiam levar a empresa a mergulhar em uma crise financeira ainda mais grave.

Tendo isso em mente, o CEO fez uma pergunta para sua equipe que a princípio parecia totalmente descabida: Por que temos que fazer seguro da nossa frota de caminhões? O diretor financeiro olhou para seus colegas com uma expressão de que o chefe estava fora do seu juízo e disse: Ora, se roubarem um caminhão o prejuízo será muito alto, não podemos ficar descobertos.

O CEO agradeceu a resposta e pediu que lhe entregassem uma simples análise: Quantos caminhões existiam na frota da empresa, quanto representava o custo anual do seguro em relação ao preço total de cada caminhão e qual era o histórico de roubos nos últimos cinco anos. A análise veio da seguinte forma: A frota era composta de 100 caminhões, o custo de cada seguro representava aproximadamente 5% do valor do veículo e nos últimos cinco anos, a média nacional de roubos foi de 1%.

Fazendo uma conta rápida se verifica que o custo anual de se assegurar a frota inteira equivale ao valor de cinco caminhões e o custo de ser roubado, com base na média nacional histórica, é de apenas um.  Portanto, a decisão do CEO foi cortar os gastos com seguros. É claro que tudo poderia dar errado e o número de roubos ser bem maior naquele ano, mas a liderança também pressupõe assumir riscos calculados e foi exatamente isso que ele fez. Além disso, é preciso ser muito azarado para ter um percentual de roubos 400% acima da média histórica.

Outra história que mostra a importância da criatividade na liderança é a famosa passagem bíblica em que o sábio rei Salomão decide o destino de um bebê que estava sendo disputado por duas supostas mães. Duas mulheres tiveram filhos na mesma noite, porém um dos bebês morreu e a mãe daquele que faleceu pegou a outra criança dizendo que aquele era seu filho. De manhã, a outra mãe percebeu que aquele que tinha morrido não era seu filho e as duas começaram a discutir. Foram até o palácio do Rei Salomão e contaram-lhe a história. Para resolver o impasse o sábio rei teve uma ideia simples, porém completamente “fora-da-caixa”: Ordenou que um de seus guardas cortasse a criança ao meio e assim cada mulher ficaria com uma metade do bebê e dessa maneira o conflito estaria resolvido. Imediatamente ao ouvir essa ordem, uma das mulheres gritou desesperadamente pedindo que ele não fizesse isso e que desse a criança à outra mulher.

O rei interrompeu o guarda conforme pedido, mas ao invés de dar a criança à outra mulher, ordenou que o bebê fosse entregue àquela que havia gritado, pois ela era de fato a verdadeira mãe.

O CEO da empresa de transportes não criou um produto ou serviço tão inovador que o colocasse no hall dos gênios criativos como Leonardo Da Vinci ou mesmo Steve Jobs, mas usando a definição de criatividade apresentada, ele foi extremamente criativo, pois apresentou uma solução alternativa para um problema conhecido. Já o Rei Salomão, ao deparar com um problema completamente novo, apresentou uma solução inovadora.

Para se exercer a liderança criativa é preciso coragem para desafiar o status quo, mas é necessário também ter simplicidade, pois muitas das possíveis soluções para os desafios do dia-a-dia são mais simples e ordinárias do que parecem.

 

Renato Grinberg trabalhou em grandes multinacionais nos EUA como a Sony Pictures e Warner Bros., e também foi presidente da Trabajanndo.com no Brasil. Atualmente, é Diretor Sênior da BTS, consultoria líder mundial em programas de Leadership Development  – Strategy  Alignment/Business Acumen e Sales Transformation, além de professor do programa de MBA da HSM Educação e colunista do site da Harvard Business Review Brasil. É autor dos best-sellers de carreira e negócios “A estratégia do olho de tigre” e “O instinto do sucesso” (editora Gente).  Renato Grinberg é requisitado por empresas em todo o país para proferir palestras visando ao aprimoramento profissional de sua audiência. Saiba mais sobre o autor em www.renatogrinberg.com.br

 

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