Outro dia, observando minha filha de oito anos brincando de ser dona de uma loja de roupas, com funcionários, estoque de produtos, clientes e tudo mais que faz parte de uma loja de verdade, deixei minha mente divagar e imaginei como seria minha filha, mais ou menos com minha idade atual, ou seja, daqui há 30 anos, liderando uma loja de roupas. Que tipo de líder ela se tornaria? Que tipo de líderes sua geração produzirá? Pensei no futuro, daqui a 30 anos, porque queria fazer uma comparação mais precisa do que eu faço hoje como líder e o que ela supostamente fará quando tiver minha idade.

 

A primeira coisa que me veio à mente foi a preocupação que vejo nela e na maioria de seus coleguinhas com a saúde do nosso planeta. Para ela é algo impensável poluir um rio, devastar uma floresta ou simplesmente deixar a torneira aberta por um segundo a mais do que o necessário. Perguntei a ela, como seria a sua loja em relação à sustentabilidade e quando comecei a explicar melhor a que eu me referia quando falava em sustentabilidade, ela logo me interrompeu e disse que entendia perfeitamente o conceito: “Algo sustentável é algo que tem futuro, não é isso? Então a primeira coisa que minha rede de lojas vai ser é sustentável, porque quero que ela tenha bastante futuro!”.

 

Como qualquer “pai coruja”, fiquei orgulhoso de minha filha, mas, mais que isso, fiquei esperançoso em imaginar que a geração de líderes de 2040 não “perderá” tempo discutindo se uma empresa deve ou não ser sustentável, da mesma maneira que os líderes atuais do setor privado não perdem tempo discutindo se uma empresa deve ou não ser lucrativa – isso é condição sine qua non!

 

No livro O código da liderança (Editora Record) os autores Dave Ulrich, Norm Smallwood e Kate Sweetman  propõem que 60% a 70% do que os executivos devem ter como características para serem bons líderes é igual para qualquer tipo de empresa ou contexto. Eles mapearam as cinco características fundamentais, ou seja, que fazem parte do DNA da liderança e que são comuns a todos os bons líderes: Ser um bom estrategista, executor, gestor de talentos, desenvolvedor do capital humano e apresentar proficiência pessoal. No quesito proficiência pessoal está incluído não só a efetividade da pessoa, mas também seus valores, crenças e caráter. Falando de uma questão que infelizmente continuamos assistindo tão frequentemente tanto no mundo das corporações quanto no mundo da política, de como é possível líderes “capazes” serem pessoas de caráter tão questionável, é algo que com base não só no meu eterno otimismo, mas principalmente em minhas observações das atitudes da minha filha e de seus coleguinhas, será uma discussão inexistente na geração do líder 2040.

 

 

*Renato Grinberg é especialista em liderança, desenvolvimento profissional, gestão de empresas e autor do best-seller de carreira/negócios “A estratégia do olho de tigre”. É formado em música pela FAAM, tem pós-graduação em Marketing pela University of California Los Angeles (UCLA), MBA pela University of Southern California (USC) e cursou Melhores Práticas em Liderança na Harvard Business School. Atualmente é presidente da Trabalhando.com Brasil, professor de liderança na HSM Educação e colunista do site da Harvard Business Review Brasil.

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