Estresse

Para lidar com o estresse, aumente sua resiliência

Ama Marston e Stephanie Marston
20 de Março de 2018
estresse

Em toda parte, o estresse está aumentando. De acordo com a Organização Internacional do Trabalho (OIT), funcionários em países desenvolvidos e em desenvolvimento enfrentam tensões cada vez maiores. A onda crescente de fatores estressores inclui os desafios globais, como mudanças climáticas, terrorismo e turbulências políticas — além de desafios pessoais e profissionais, como doenças, mudanças de emprego e reestruturação organizacional.

Para muitos, a resposta inicial ao estresse é procurar soluções externas. Lançamos mão de ferramentas de produtividade ou aplicativos que prometem nos ajudar a gerir pressões crescentes. Ou então, procuramos maneiras de aliviar nosso desconforto, procurando um trabalho diferente, contratando um novo funcionário para assumir uma nova carga de trabalho ou mudando de carreira. Mas, frequentemente, essas soluções são temporárias e ineficazes. Gerir o estresse a longo prazo implica desenvolver suas próprias habilidades de resiliência antes de buscar soluções externas, para que você possa transformar mudanças, estresse e desafios em oportunidades. Essas habilidades incluem adaptabilidade, uma relação saudável com seu lado controlador, aprendizado contínuo, um sentido de propósito e capacidade de alavancar apoio e recursos adequados.

Para começar a mudar a forma como você lida com o estresse e desenvolve a resiliência, há um punhado de coisas que você pode fazer agora.

Reformule a forma como você encara o estresse
Nossa concepção do estresse pode influenciar a forma como lidamos com ele tanto quanto a quantidade de estresse que enfrentamos. Pesquisadores da Buffalo University descobriram que os fatores estressores, mais ou menos importantes, nos ajudam a desenvolver as habilidades para enfrentar outras circunstâncias penosas ou estressantes no futuro. Em 2013, um estudo de Harvard também revelou que quando os pesquisadores disseram aos participantes que os sinais fisiológicos do estresse os deixavam mais preparados, eles ficaram menos ansiosos e mais confiantes em situações de estresse, considerando sua resposta ao estresse como algo útil. Consequentemente, o coração e os vasos sanguíneos responderam da mesma forma que em momentos de intensa felicidade.

Em vez de tentar eliminar as pressões do dia-a-dia, mude sua percepção sobre elas. Você pode perguntar: “Como posso usar a energia criada pelo estresse diante de um novo trabalho para me preparar melhor para ele?” ou “O que posso aprender com o estresse gerado pelo aumento da carga de trabalho que me ajudará a organizar melhor meu tempo?”

Quando estiver sobrecarregado ou ansioso, faça uma pausa para examinar como sua perspectiva padrão está influenciando sua percepção do estresse. Que conselhos você recebe de familiares, amigos e colegas sobre como encarar circunstâncias estressantes? Relembre uma situação estressante anterior e pergunte: “Eu achava que tinha os recursos internos e externos para enfrentar o desafio na época? O que eu poderia fazer de forma diferente agora usando o que aprendi nessa situação?”.

Dito isto, é possível que o estresse seja excessivo. Preste atenção aos sinais precoces de burnout, como dor nas costas, dor de cabeça, insônia, pavio curto ou se apoiar mais em “hábitos reconfortantes” como beber ou comer excessivamente. Familiarize-se com seus próprios sinais de aflição e fique alerta quando os sinais ocasionais se tornarem mais frequentes.

Desenvolva uma relação saudável com seu lado controlador
É essencial ser capaz de separar o que você pode e não pode controlar. Quando você está sobrecarregado, é fácil assumir que você não pode mudar a situação. Pesquisas da University of Capetown e do programa de MBA da Ashridge, no Reino Unido, descobriram que os estudantes de administração que atribuem a si mesmos a responsabilidade pelo próprio sucesso tendiam a se culpar excessivamente por eventos do mundo externo, o que resultava em um estresse significativo.

Há coisas que sempre estarão fora do seu controle: o comportamento de outras pessoas, o clima, uma crise financeira ou simplesmente a falta de oportunidade. Pergunte a si mesmo: “Quão perto estou das causas fundamentais ou dos decisores nessas situações? Tenho as habilidades, informações, recursos ou relacionamentos que me permitem mudar ou influenciar esta situação?” Faça uma anotação, mental ou escrita, do que está dentro e fora do seu poder de influência.

Para as coisas que você não controla, reconheça que você tem sim a capacidade de decidir como interpretá-las ou abordá-las.

Compreenda as causas fundamentais
Reflita com calma sobre seu contexto pessoal, bem como sobre o contexto mais amplo e global de negócios para entender melhor as causas fundamentais e as possíveis maneiras de aliviar e evitar o estresse no futuro. Por exemplo, você cresceu em uma família ou cultura onde o desentendimento ou o conflito eram evitados? Se sim, é provável que situações de confronto agravem seu desconforto e estresse. Tenha consciência de seus hábitos e respostas instintivas e, possivelmente, procure apoio adicional para desenvolver habilidades para lidar com os conflitos de forma mais confortável.

Grande parte do que ocorre mundialmente, seja no âmbito econômico, político, social ou ambiental, também afeta nossa conduta. Pergunte a si mesmo: “Eu, minha equipe ou minha empresa estamos sob pressão devido a uma tendência mais ampla que também está afetando meu setor ou minha comunidade? Em caso afirmativo, eu/nós precisamos adaptar planos e expectativas? Há bons exemplos disponíveis do que funciona neste novo contexto ou como transformar isso em uma oportunidade?”

Associe aprendizado e ação
É possível ver circunstâncias difíceis como oportunidades de aprendizado e não como a hora de entrar em pane. Quando perguntamos “O que posso aprender com isso?” em vez de “Por que eu?”, podemos moldar o desafio de forma vantajosa.

Comece anotando três formas possíveis pelas quais você pode aprender algo a partir do estresse que está enfrentando. Pode ser algo sobre como identificar ou gerir suas emoções, ou novas habilidades interpessoais ou técnicas. Refletir dessa maneira o ajudará a evitar soluções rápidas ou “opções” que podem temporariamente aliviar seu desconforto, mas não tratam as causas fundamentais.

A análise por si só não é suficiente. Pesquisadores demonstraram que análise sem ação leva à ruminação de problemas e à ansiedade. Ao identificar as ações cabíveis, você poderá testar soluções e novos comportamentos e descobrir maneiras produtivas de lidar com os desafios e o estresse.

Fazer escolhas conscientes que nos ajudam a desenvolver essas habilidades nos torna melhor equipados para transformar estresse e desafios em oportunidades. Com uma maior resiliência interna, podemos ser mais proativos e determinados sobre como usamos a tecnologia e outras ferramentas externas para melhorar nossa qualidade de vida e de trabalho e encontrar soluções para as pressões comerciais, sociais e globais que enfrentamos. Quando se trata de lidar com o estresse, comece com você mesmo: somos o nosso recurso mais eficaz e poderoso.
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Ama Marston é especialista em estratégia e liderança de renome internacional e coautora de “Type R: Transformative Resilience for Thriving in a Turbulent World”.
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Stephanie Marston é psicoterapeuta, especialista em estresse de trabalho e da vida e consultora corporativa. É coautora de “Type R: Transformative Resilience for Thriving in a Turbulent World”.

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