Entrevista a Alison Beard

James Dyson teve de criar 5.127 protótipos de seu famoso invento — o aspirador Dual Cyclone, que não tem saco para coleta do pó — antes de chegar ao modelo que faria dele um bilionário. Hoje, a empresa que leva seu nome também fabrica ventiladores sem pás e secadores de mão de alta eficiência energética — e está em 49 países. Dyson deixou a presidência neste ano, mas ainda é o único proprietário e seu engenheiro-chefe.
 

HBR: Como descrever sua profissão?
James Dyson: Às vezes, é o que chamam de inventor. Na prática, porém, isso não existe. O sujeito ou é um engenheiro ou um cientista que desenvolve a tecnologia para criar algo novo e melhor. Também me interesso por design; parti como designer. Para mim, é tudo uma coisa só, uma única profissão.

Você disse que ter perdido o pai em 1956, quando tinha nove anos de idade, o transformou em quem é hoje. Como assim?
Não ter pai, especialmente naquela época, era muito incomum — me sentia diferente. Não tinha em quem me apoiar. Não sei se me explico bem, mas creio que inconscientemente sentia a necessidade de me pôr à prova. Algo como 80% dos premiês britânicos desde Walpole perderam um dos pais antes dos dez anos. Há algo aí. Sou, sem dúvida, muito determinado.
O que seu primeiro chefe, Jeremy Fry, lhe ensinou?
Quando fui trabalhar para ele, nunca tinha criado um produto. Nunca tinha vendido nada. E ele me colocou no comando de uma empresa que fabricava embarcações de assalto anfíbio. Ou seja, me ensinou que ninguém precisa necessariamente começar de baixo. Se tiver permissão para cometer erros, a pessoa aprende com uma rapidez incrível. Fry também me ensinou a desconfiar da experiência. Ele gostava muito mais de trabalhar com gente que tivesse um certo frescor, que não tivesse vícios.
Quando grandes empresas rejeitaram o Cyclone, o que o levou a insistir e a fabricar o aspirador por conta própria?
Tive a sensação de que se desistisse e fizesse o mais “sensato”, me arrependeria para sempre. Como alguém que usava um aspirador de pó, [o Cyclone] era o que eu queria. Se a coisa do saco e a perda do poder de sucção me irritavam, com certeza também irritavam mais gente.
A Dyson lançou um punhado de produtos afins, como ventiladores. Gostaria de provar coisas novas?
Não. Teria ficado muito satisfeito em resolver todos os problemas com aspiradores de pó pelo resto da minha vida. Seguir aprimorando algo — inventar uma coisa melhor — é um processo muito mais desafiante intelectualmente do que pular de uma coisa para outra.
Ouvi dizer que todo funcionário da Dyson tem de montar um aspirador de pó no primeiro dia de trabalho.
Isso vale até para gente da diretoria — os reis do pedaço —, que não está no operacional. É para terem confiança na tecnologia. É para saberem o que há ali dentro. E o aspirador que montam é deles. É para frisar que o que fazemos é fabricar produtos que as pessoas usam.
Como conselheiro do Partido Conservador britânico, você defende novas políticas de fomento à inovação no país. Qual o papel da educação nisso?
Se pegarmos uma disciplina que chamamos de design e tecnologia, veremos que a garotada dos 10 aos 14 anos adora a matéria e se destaca nela. Mas, por algum motivo, esse interesse se perde. E, sinceramente, o governo é o responsável. O Reino Unido produz muito menos engenheiros do que as Filipinas, o México ou o Irã, para não dizer a Índia e a China. Ou seja, não estamos nos preparando muito bem para o futuro. E a criançada está perdendo algo de que poderia ter gostado. Um estudo da Exeter mostrou que os engenheiros são os mais felizes na profissão. É muito interessante.
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