Economia

Finanças - Um IPO mais barato

Rudiger Stucke, Howard Jones
12 de novembro de 2013

As ofertas públicas iniciais de ações (IPO) são uma rota de saída cara para muitos proprietários de empresas. Os subscritores nos Estados Unidos geralmente cobram de 5% a 7% dos retornos. Determinar um valor muito baixo para as ações requer outros 10% a 15%, em média. Custos totais que chegam a US$ 100 milhões não são incomuns para as grandes aberturas de capital. Não é de surpreender que muitos empresários busquem outras opções, especialmente uma fusão ou aquisição.

Nos últimos anos, no entanto, alguns empresários americanos se voltaram para “acordos de impostos recebíveis” — TRA, pela sigla em inglês — para reduzir os seus custos de saída. Nos termos de um TRA, quem vende as ações pode receber pagamentos durante até 15 anos depois de uma abertura de capital e nossa pesquisa mostra que eles somam três vezes o custo da oferta inicial de ações, em média. O TRA se tornou uma ferramenta preferida dos principais bancos de investimento e um método padrão pelo qual as firmas de private equity levam empresas de seus portfólios à bolsa. Na verdade, 2013 está no caminho de ser um ano recorde para tais ofertas. Contudo, os TRAs ainda são pouco compreendidos e podem ser utilizados com grande vantagem em um número muito maior de aberturas de capital.

Um TRA normalmente funciona assim: antes da abertura de capital, o vendedor dá alguns passos para garantir que a empresa poderá desfrutar de uma base de cálculo de impostos mais elevada após a emissão de ações sem criar um custo fiscal novo que anule a vantagem para o vendedor. Isso pode reduzir drasticamente o imposto de renda pago pela companhia sobre os lucros depois da abertura de capital. O vendedor recebe uma grande parte do valor dessas economias fiscais futuras, geralmente a ser pago em 15 anos. A subutilização dos TRAs não reflete apenas uma falta de familiaridade com esses acordos. Ela é resultado de preocupações — em primeiro lugar, de que eles não foram testados e, em segundo, que os investidores na abertura de capital possam sentir que os vendedores estão sendo injustamente beneficiados a sua custa. Ambas as preocupações são equivocadas. Os TRAs foram bem testados em mercados de ofertas iniciais de ações, incluindo aberturas de capital importantes. E eles têm uma marca que tem caracterizado as fusões e aquisições há anos, que a entrega de benefícios fiscais para os compradores resulta em um valor mais elevado para os vendedores. O uso crescente dos TRAs é exatamente o que a teoria das finanças nos levaria a esperar.

A crise financeira global provocou o quase desaparecimento do mercado de aberturas de capital nos EUA, mas esse mercado está voltando à vida. E, enquanto isso acontece, potenciais vendedores devem considerar os TRAs como uma maneira de tornar os IPOs uma alternativa viável às fusões e aquisições.

 

Howard Jones é pesquisador sênior e Rüdiger Stucke é pesquisador da Faculdade de Administração Said Universidade de Oxford.

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