Você perdeu a confiança do seu supervisor. E agora? O embrulho no estômago provavelmente decorre da percepção desconfortável de que seu status e suas chances de sucesso receberam um golpe repentino e indesejável. Afinal, confiabilidade é a moeda corrente na maior parte dos locais de trabalho. Ela permite que você construa relacionamentos produtivos e ganhe mais responsabilidade. Sem ela, seu sucesso é improvável.

O primeiro passo para resolver esse dilema é verificar se o episódio infeliz colocou em dúvida sua integridade ou sua competência. Como descrevo no meu livro The Truth About Trust (A verdade sobre a confiança), nossa disposição de confiar nos outros se apoia nestes dois pilares claramente distintos. Integridade – a disposição de agir de forma justa e honrar compromissos – é o que geralmente vem à mente em primeiro lugar quando pensamos em confiança. No entanto, a competência – a posse das habilidades necessárias para realizar uma tarefa – não é menos importante. Por mais evidente que seja o fato de que não se deve trabalhar com alguém de integridade duvidosa, toda a integridade do mundo não será suficiente se o parceiro não tiver as habilidades necessárias para realizar a tarefa em questão.

Consequentemente, os gestores de sucesso são bastante sensíveis a esses dois fatores e os levam em conta ao atribuir responsabilidades. Você já se perguntou por que os membros aparentemente mais honestos e sinceros de uma equipe são muitas vezes ignorados em promoções, que favorecem pessoas menos agradáveis, mas talvez mais qualificadas? Altos tomadores de decisão, com razão, reconhecem que os benefícios da integridade e simpatia, eventualmente, deixam de aumentar, enquanto os benefícios da competência crescente não apresentam tal nivelamento.

Ganhar a confiança do seu chefe, portanto, depende de convencer seus superiores que você possui o equilíbrio certo entre integridade e competência.

Para conseguir isso, reconheça qual pilar da confiabilidade que você transmite você precisa escorar. Seu chefe acredita que você prioriza suas próprias necessidades acima das da empresa? Ou será que ele suspeita que você simplesmente não possui as habilidades ou competências necessárias?

Se é a integridade, você está com sorte, porque esse é geralmente um ajuste mais fácil. Considere como a mente calcula o caráter. A integridade é a disposição de aceitar custos de curto prazo para si mesmo em benefício de outros. Não retornar um favor pode, sim, gerar mais recursos no curto prazo, mas, no longo prazo, desenvolver uma reputação de alguém que é egoísta ou desonesto irá reduzir significativamente benefícios que, quando agregados ao longo do tempo, poderiam ser bastante substanciais. Já que ser confiável, então, se baseia em sacrificar ganhos a curto prazo para um ganho de longo prazo, ter integridade exige ser visto como alguém que tem autocontrole (como o trabalho de Francesca Righetti e Catrin Finkenauer confirma). Mas como mostrar autocontrole e integridade? Existem duas maneiras.

A primeira leva tempo: demonstrar repetidamente a capacidade de adiar a gratificação egoísta de pequenas tentações. Por exemplo, trabalhar durante o almoço ou assumir tarefas onerosas ou tediosas que precisam ser feitas, mas ninguém quer fazer. A segunda é mais rápida: mostrar disposição de se sacrificar para beneficiar os outros quando os riscos são altos. A potência do segundo caminho é bem conhecida. Soldados e soldadas constroem fortes laços de confiança ajudando uns aos outros mesmo quando isso coloca suas próprias vidas em risco. Equipes desenvolvem vínculos de confiança ao se envolver em retiros que testam suas inclinações para cooperar através da participação em tarefas árduas. Em ambos os casos, o preço de aceitar custos imediatos para si mesmo são elevados, e, portanto, fazê-lo marca claramente o indivíduo como um integrante confiável da equipe. Para recuperar a confiança dos outros, portanto, você deve rapidamente se comportar de modo a mostrar que está disposto a sacrificar suas próprias necessidades e prazeres em benefício dos outros, e fazê-lo em situações caracterizadas por custos pessoais elevados em termos de tempo, dinheiro, ou recursos relacionados. Você tem que ser visto como alguém disposto a fazer o que os outros talvez não façam a serviço de objetivos maiores da empresa. Por exemplo, adiar as férias planejadas para atender a uma grande necessidade ou objetivo de seu chefe.

Se a sua competência está em questão, prepare-se para um trabalho árduo e mais longo. Competência não é baseada em motivações e, portanto, não pode ser alterada tão facilmente. Simplificando, a competência é baseado em habilidade e se o seu gerente acredita que você não possui habilidades que você deveria ter, será necessário muito esforço para remediar a situação. Quando se trata de confiança, as questões de competência são tão centrais que aos quatro anos de idade nossas mentes já são sensíveis a elas. Como a pesquisa realizada por Kathleen Corriveau e Paul Harris revela, alunos em idade pré-escolar preferem competência a simpatia quando se trata de escolher os professores de quem desejam aprender e com quem desejam trabalhar. É uma tendência que permanece conosco até a idade adulta. Como resultado, ser visto como incompetente coloca você em uma desvantagem significativa; os outros vão se manter longe de você na hora de trabalhar em tarefas que exigem esforços conjuntos. Corrigir a situação vai exigir um certo nível de humildade de sua parte, pois tentar transmitir confiança após uma falha inicial só vai agravar o problema, fazendo você parecer arrogante. Você terá que ser visto como alguém que se esforça para afiar suas habilidades – fazendo leituras extra, cursos adicionais, etc. -, a fim de ser confiável novamente. Não se apresse. Em vez disso, certifique-se de dar as respostas certas quando sua participação é requisitada, mesmo que seja necessário mais tempo para chegar a elas.

Você pode estar se perguntando se estes esforços valem a pena. As pessoas podem realmente se recuperar de uma quebra de confiança com seu chefe? Na maioria dos casos, a resposta é sim. Amplas pesquisas mostram que uma inclinação para perdoar quebras de confiança (pelo menos quando elas ocorrem raramente) é uma estratégia mais benéfica do que uma tática baseada simplesmente em dar o troco na mesma moeda. Por quê? Porque muitas quebras de confiança acabam se revelando como sendo apenas erros. Por exemplo, uma pessoa deixa de completar uma tarefa porque confundiu as datas de vencimento, não porque optou por deixar o trabalho mais cedo para ir a uma festa. Se os indivíduos adotassem uma verdadeira estratégia de pagar na mesma moeda, relacionamentos onde a confiança foi erroneamente quebrada nun
ca poderiam ser reparados. Os indivíduos em questão entrariam num círculo vicioso de não cooperação. Mas se as pessoas estão dispostas a perdoar transgressões de vez em quando, relacionamentos potencialmente benéficos não precisam ser jogados no lixo. Assim, a maioria das pessoas, tendo consciência disso ou não, têm uma tendência a perdoar – uma tendência a ser aberto a reparar a confiança. Seguir os passos acima irá ajudar a aumentar a probabilidade de que você vai ser capaz de usar essa tendência em seu favor e, finalmente, se encontrar de novo nas boas graças de seu chefe.

David DeSteno é professor de psicologia na Northeastern University em Boston, e autor de The Truth About Trust: How It Determines Success in Life, Love, Learning, and More (A verdade sobre a confiaça: como ela determina o sucesso na vida, no amor, no aprendizado e mais (Hudson Street Press, 2014).

 

 

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