O que uma empresa pode aprender com um programa pioneiro do Exército americano para promover o crescimento pós-trauma.
 
Douglas e Walter fizeram o MBA da University of Pennsylvania, nos Estados Unidos. Há 18 meses, os dois perderam o emprego em Wall Street. Ambos entraram em crise: ficaram tristes, apáticos, indecisos, ansiosos em relação ao futuro. No caso de Douglas, o estado foi passageiro. Com duas semanas, disse a si mesmo: “O problema não sou eu, é a fase ruim da economia. Sou bom no que faço, vai haver mercado para minhas habilidades”. Atualizou o currículo e o enviou a uma dezena de firmas em Nova York. Todas disseram não. Tentou, então, seis empresas em sua antiga cidade no estado de Ohio. Acabou conseguindo um emprego. Já Walter se deixou abater: “Fui demitido porque não consigo trabalhar sob pressão”, pensou. “Não nasci para o mercado financeiro. A economia vai levar anos para se recuperar.” Mesmo com o mercado melhorando, não foi buscar outro emprego; acabou de volta à casa dos pais.
 
Douglas e Walter (na verdade, um amálgama de vários entrevistados) estão em extremos opostos do continuum de reações a um revés. Os Douglas da vida se recuperam após um breve período de abatimento; em um ano, cresceram devido à experiência. Já gente como Walter vai da tristeza à depressão a um medo paralisante do futuro. Só que o fracasso é parte quase inevitável da vida profissional e — ao lado do amor despedaçado — um dos traumas mais comuns da vida. É quase certo que gente como Walter vá ter problemas na carreira. Já empresas com muitos trabalhadores iguais a ele estarão em apuros em tempos difíceis. É gente como Douglas que chega ao topo — e que uma organização deve recrutar e reter para triunfar. Mas como saber quem é um Walter e quem é um Douglas? Um Walter pode se converter em Douglas? É possível medir e cultivar a resiliência?
 
Trinta anos de investigação científica deixaram a nosso alcance a resposta a essas perguntas. Aprendemos não só a distinguir quem vai crescer e quem vai entrar em colapso depois de um tombo, mas também a desenvolver as habilidades de indivíduos na segunda categoria. Trabalhei com colegas do mundo todo no desenvolvimento de um programa de cultivo da resiliência — programa hoje sendo testado por uma organização de 1,1 milhão de pessoas na qual o trauma é mais comum e mais sério do que em qualquer ambiente empresarial: o Exército americano. Seus membros podem ser acometidos de depressão e do transtorno de estresse pós-traumático (TEPT), mas milhares também registram um crescimento pós-trauma. Nosso objetivo é empregar o cultivo da resiliência para reduzir o número dos que se debatem e aumentar o daqueles que crescem. A nosso ver, empresas podem tirar lições dessa abordagem, sobretudo em momentos de revés e estagnação. Trabalhando tanto com soldados (trabalhadores) e sargentos instrutores (gerentes), estamos ajudando a criar um exército de gente como Douglas — gente capaz de transformar suas experiências mais difíceis em catalisadores de um desempenho melhor.
 
Otimismo é a chave
Embora hoje seja chamado de pai da psicologia positiva, cheguei aqui por um caminho longo e tortuoso, com muitos anos de pesquisa sobre o fracasso e a sensação de impotência. Em fins da década de 1960, fiz parte da equipe que descobriu o “desamparo aprendido”. Vimos que cães, ratos e até baratas submetidos a choques levemente dolorosos, sobre os quais não tinham controle, a certa altura passavam a aceitar o fato e já nem tentavam escapar. Em seguida, foi mostrado que o ser humano faz o mesmo. Num experimento publicado em 1975 por Donald Hiroto e eu (e reproduzido muitas vezes desde então), voluntários são divididos aleatoriamente em três grupos. Os do primeiro são expostos a um barulho alto, irritante, que podem interromper pressionando um botão a sua frente. Os do segundo grupo ouvem o mesmo ruído, mas não podem pará-lo, por mais que se esforcem. Os do terceiro, o grupo de controle, não ouvem nada. Mais tarde (em geral no dia seguinte), os voluntários são expostos a outra situação que, de novo, envolve ruído. Para interrompê-lo, basta moverem a mão cerca de 30 centímetros. Indivíduos do primeiro e do terceiro grupos descobrem rapidamente essa saída para evitar o ruído. Já os do segundo grupo em geral não fazem nada. Na primeira fase, tentaram, viram que não tinham controle e se tornaram passivos. Na segunda, já prevendo o insucesso, nem tentaram escapar. Tinham assimilado a impotência.
 
Curiosamente, no entanto, cerca de um terço dos animais e dos seres humanos submetidos a choques ou ruídos inescapáveis não se deixa abater. O que faz com que não desanimem? Em mais de 15 anos de estudo, meus colegas e eu descobrimos que a resposta é o otimismo. Elaboramos questionários e analisamos o conteúdo do discurso e da escrita textuais para avaliar o “estilo explicativo” como otimista ou pessimista. Descobrimos que gente que não desiste tem o hábito de interpretar um revés como algo passageiro, pontual e mutável (“Já vai passar; é uma situação específica e posso tentar mudá-la”). Isso sugeriu como poderíamos imunizar o indivíduo contra o desamparo aprendido, contra a depressão e a ansiedade e contra a apatia depois de um revés: ensinando-o a pensar como um otimista. Criamos um programa (o Penn Resiliency Program) sob a direção de Karen Reivich e Jane Gillham, da University of Pennsylvania, para jovens adultos e crianças. O programa já foi aplicado em 21 ambientes escolares diversos (de bairros nobres a zonas carentes, da Filadélfia a Pequim). Também criamos um programa de dez dias no qual educadores aprendem técnicas para ser mais otimistas em sua própria vida e para ensinar essas técnicas a seus alunos. Descobrimos que isso reduz a depressão e a ansiedade nas crianças sob seus cuidados (também ensinamos a psicologia positiva com o programa de mestrado em psicologia positiva aplicada da University of Pennsylvania, já em seu sexto ano).
 
 
Em novembro de 2008, quando o famoso general George W. Casey Jr. — chefe do Estado-Maior do Exército americano e ex-comandante das forças de coalizão no Iraque — me perguntou o que a psicologia positiva tinha a dizer sobre os problemas das tropas, minha resposta foi simples: a reação do ser humano à adversidade extrema segue uma curva de distribuição normal. Num extremo estão indivíduos acometidos de TEPT, de depressão (gente que chega até ao suicídio). No meio está a maioria: a princípio, apresentam sintomas de depressão e ansiedade, mas com um mês já voltaram ao ponto anterior ao trauma (tanto por critérios físicos como psicológicos). Isso é resiliência. No ou
tro extremo estão aqueles que exibem um crescimento pós-traumático. Também passam por depressão e ansiedade no início (e, não raro, por TEPT). Com um ano, no entanto, estão melhores do que estavam antes do trauma. É essa gente que Friedrich Nietzsche tinha em mente ao dizer: “O que não me mata me fortalece”.
 
 
Disse ao general que o Exército poderia empurrar mais gente para o extremo do crescimento se cultivasse habilidades psicológicas capazes de interromper a espiral descendente que costuma acompanhar o fracasso. Casey deu ordens para que a organização passasse a medir a resiliência e a dar treinamento em psicologia positiva para criar uma força tão apta psicológica quanto fisicamente. Essa iniciativa de US$ 145 milhões, sob o comando da brigadeiro-general Rhonda Cornum, foi batizada de Comprehensive Soldier Fitness (CSF) e possui três componentes: um teste de preparo psicológico, cursos de autoaprimoramento oferecidos após o teste e um treinamento (“master resilience training”, ou MRT) para sargentos. São, todos, baseados no modelo PERMA: emoções positivas, envolvimento, relacionamentos, sentido e realização (positive emotion, engagement, relationships, meaning e accomplishment) — pilares da resiliência e do crescimento.
 
Um teste do preparo psicológico
Uma equipe liderada por Christopher Peterson, professor da University of Michigan e autor do instrumento de avaliação psicológica Values in Action, criou o teste, chamado de Global Assessment Tool (GAT). É um questionário de 20 minutos que se concentra em pontos fortes em vez de deficiências e foi projetado para medir quatro coisas: preparo emocional, familiar, social e espiritual. Todos os quatro teriam a capacidade de reduzir a depressão e a ansiedade. Segundo estudos, são a chave do PERMA.
 
Embora o resultado do teste seja confidencial, o GAT permite que o indivíduo escolha cursos básicos ou avançados projetados para cultivar sua resiliência. O GAT também oferece um vocabulário comum para descrever pontos fortes de soldados. Os dados gerados permitirão que o Exército avalie o preparo psicossocial tanto de unidades específicas como de toda a organização, destacando aspectos positivos e negativos. Até o presente momento, mais de 900 mil soldados já fizeram o teste. O Exército vai comparar perfis psicológicos com o desempenho e resultados médicos ao longo do tempo; o banco de dados resultante nos permitirá responder a perguntas como as seguintes: que traços específicos protegem contra TEPT, depressão, ansiedade e suicídio? Um forte senso de sentido produz um melhor desempenho? Gente com alta pontuação em emoções positivas é promovida mais rapidamente? Um líder pode contagiar as tropas com seu otimismo?
 
Cursos online
O segundo componente do CSF são cursos opcionais online em cada uma das quatro áreas de preparo e um curso obrigatório sobre crescimento pós-traumático. Para gestores de empresas, as implicações são mais óbvias em certos módulos do que em outros, mas farei uma breve exposição de todos.
 
O módulo de preparo emocional, criado por Barbara Fredrickson, professora de emoções e psicofisiologia da University of North Carolina, e sua colega Sara Algoe, ensina aos soldados como amplificar emoções positivas e como reconhecer quando negativas — como tristeza e raiva — são desproporcionais à realidade da ameaça que enfrentam.
 
O preparo da família também afeta o desempenho do indivíduo no trabalho; telefone celular, e-mail, Facebook e Skype permitem que até o soldado em combate ou o executivo em missão no exterior sigam intimamente envolvidos com a família. Uma disciplina criada por John e Julie Gottman, eminentes psicólogos especializados em casais, busca cultivar uma série de habilidades de relacionamento — incluindo o fomento da confiança, a gestão construtiva de conflitos, a criação de significados comuns e a recuperação após uma traição.
 
Desenvolvido pelo professor de psicologia da University of Chicago John Cacioppo (especialista em solidão), o módulo de preparo social explica o funcionamento de neurônios-espelho no cérebro para ensinar empatia aos soldados. Ao vermos outra pessoa sofrendo, a atividade em nosso cérebro é parecida (mas não idêntica) à de quando sentimos nós mesmos a dor. Nesse módulo, os soldados tentam identificar emoções nos outros, com ênfase na diversidade racial e cultural. Esse é o cerne do desenvolvimento da inteligência emocional — e a diversidade é um traço inerente do Exército americano (e não mero slogan político).
 
O módulo de preparo espiritual, criado por um professor de psicologia da Bowling Green State University (Kenneth Pargament) e por um professor de ciências comportamentais e liderança na academia militar de West Point (coronel Patrick Sweeney), conduz os soldados pelo processo de construção de um “núcleo espiritual” com autoconsciência, senso de agência, autocontrole, automotivação e consciência social. No CSF, “espiritual” não tem a ver com religião, mas com pertencer e servir a algo maior do que o próprio eu.
 
 
O módulo obrigatório, sobre crescimento pós-traumático, é altamente relevante para executivos de empresas às voltas com o fracasso. Criado por Richard Tedeschi (professor de psicologia da University of North Carolina em Charlotte) e pelo psicólogo Richard McNally (Harvard), parte com o antigo ensinamento de que a transformação pessoal vem do renovado prazer de estar vivo, de uma força pessoal maior, da aceitação de novas possibilidades, de relacionamentos melhores ou do aprofundamento espiritual. De forma interativa, o módulo expõe aos soldados cinco elementos que sabidamente contribuem para o crescimento pós-traumático:
 
1. Compreensão da resposta ao trauma (leia-se “fracasso”), o que inclui crenças desfeitas sobre si mesmo, sobre os outros, sobre o futuro. Essa é uma resposta normal, não um sintoma de TEPT ou falha de caráter.
 
2. Redução da ansiedade através de técnicas para controlar pensamentos e imagens invasivos. n>
 
3. Prática de um desabafo construtivo. Já que guardar o trauma para si pode levar a um agravamento de sintomas físicos e psicológicos, o soldado é incentivado a contar sua história.
 
4. Criação de uma narrativa na qual o trauma seja visto como uma bifurcação no caminho que acentua o entendimento do paradoxo — perda e ganho, sofrimento e gratidão, vulnerabilidade e força. Uma comparação, para o gestor, seria com o que Warren Bennis, pioneiro dos estudos de liderança, chamou de “crucibles”, ou momentos definidores, da liderança. A narrativa especifica que fortalezas pessoais foram empregadas, como certos relacionamentos melhoraram, como a vida espiritual saiu fortalecida, como a própria vida passou a ser mais apreciada ou que novas portas se abriram.
 
5. Articulação de princípios de vida. Isso inclui novas formas de ser altruísta, criar uma nova identidade e levar a sério a ideia do herói grego que volta de Hades para contar ao mundo uma verdade importante sobre como viver.
 
Treinamento em resiliência
O terceiro e mais importante componente do programa Comprehensive Soldier Fitness é o treinamento em resiliência (“master resilience training”, ou MRT) para instrutores militares e outros líderes. É conduzido na University of Pennsylvania; na Victory University, no Tennessee; no centro de treinamento do Exército em Fort Jackson, na Carolina do Sul; e por equipes móveis trabalhando com tropas na Alemanha e na Coreia do Sul. O MRT pode ser visto como treinamento gerencial: ensina líderes a cultivar a resiliência e a passar adiante o conhecimento. Seu conteúdo é dividido em três partes: cultivo da resistência mental, cultivo de fortalezas singulares e cultivo de relacionamentos fortes. Todas as três seguem o esquema do Penn Resiliency Program, com palestras, sessões para grupos menores (incluindo dramatização), questionários e discussão em pequenos grupos.
 
Cultivo da resistência mental. Esse segmento do MRT é similar, em sua temática, ao curso online de preparo emocional que o soldado faz individualmente. Parte com o modelo de Albert Ellis, o ABCD: o C (consequência emocional) não decorre diretamente do A (adversidade), mas do B (nossas crenças sobre a adversidade [o B vem do inglês “beliefs”]). Sargentos abordam uma série de As (ficar para trás numa corrida de cinco quilômetros, por exemplo) e aprendem a separar os Bs — impressões sobre a situação no calor do momento (“Sou um fracasso”) — dos Cs — emoções geradas por esses pensamentos (como ficar abatido dali para frente e, portanto, se sair mal no exercício seguinte). Com isso, aprendem o D: como dissipar de forma rápida e eficaz crenças pouco realistas sobre a adversidade.
 
Em seguida, voltamos a atenção a ciladas mentais como generalizar em excesso ou julgar o valor ou a capacidade de alguém com base num único ato. Usamos a seguinte ilustração: “Um soldado em sua unidade tem dificuldade para acompanhar o ritmo durante o treinamento físico e se arrasta pelo resto do dia. Seu uniforme está mal cuidado e ele comete um par de erros durante a prática de artilharia. Pode ser natural julgar que ele não tem o que um soldado exige. Mas qual o efeito disso tanto sobre aquele que julga como sobre o outro soldado?”. Também falamos de “icebergs” (ideias profundamente arraigadas, como “pedir ajuda é sinal de fraqueza”) e ensinamos uma técnica para identificar e eliminar aquelas que causam reações emocionais descabidas: o iceberg continua a ser relevante? É correto para a situação em pauta? É demasiado rígido? É útil?
 
Por último, discutimos como minimizar o raciocínio catastrófico com a consideração do pior cenário, do melhor cenário e do desfecho mais provável. Um sargento, por exemplo, recebe uma avaliação de desempenho negativa de seu superior. Logo pensa: “Não vou ser recomendado para promoção, não tenho o que é preciso para permanecer no Exército”. É o pior cenário. Agora, coloquemos a coisa em perspectiva. Qual o melhor cenário? “A avaliação negativa foi um erro.” E qual o cenário mais provável? “Vou receber um plano de ação corretiva de meu orientador, e vou segui-lo. Ficarei frustrado, e o líder do meu esquadrão, decepcionado.”
 
Cultivo de fortalezas singulares. A segunda par­te do treinamento começa com um teste similar ao GAT (o Values in Action de Peterson). Feito pela internet, produz uma lista hierarquizada dos 24 traços de personalidade mais positivos do indivíduo (veja o quadro “Quais seus pontos fortes?”). Pequenos grupos discutem as seguintes questões: o que o teste lhe revelou sobre si mesmo? Que pontos fortes você desenvolveu no serviço militar? Como seus pontos fortes contribuem para que conclua uma missão e atinja seus objetivos? Qual o lado negativo de seus pontos fortes e como minimizá-lo? Em seguida, os sargentos são distribuídos em equipes e encarregados de cumprir uma missão usando o perfil de pontos fortes da personalidade dos membros da equipe. Por último, os sargentos redigem seus próprios relatos de “fortalezas em desafios”. Um sargento descreveu como usou três pontos fortes (amor, sabedoria, gratidão) para ajudar um soldado que vinha se portando mal e incitando o conflito. O sargento descobriu que o soldado estava revoltado com a esposa — e essa revolta transbordava para a unidade. O sargento usou de sabedoria para ajudar o soldado a entender a perspectiva da mulher e trabalhou com ele para escrever uma carta na qual o soldado descrevia a gratidão que sentia pelo fato de a esposa ter cuidado de tanta coisa sozinha durante os três períodos em que estivera em serviço.
 
Cultivo de relacionamentos fortes. A terceira parte do MRT é focada em ferramentas práticas para a comunicação positiva. Recorremos ao trabalho de Shelly Gable (professora de psicologia na University of California em Santa Barbara), que mostra que quando um indivíduo responde de forma ativa e construtiva (e não passiva e destrutiva) a quem está relatando uma experiência positiva, crescem o amor e a amizade (veja o quadro “Quatro maneiras de reagir”). Os sargentos preenchem um questionário sobre como normalmente reagem e identificam fatores capazes de impedir respostas ativas e construtivas (como o cansaço ou o foco excessivo em si mesmos). Em seguida, usamos estudos da professora de psicologia de Stanford Carol Dweck sobre o elogio eficaz. Quando um sargento é específico ao elogiar (em vez de dizer algo genérico como “Muito bem!”), seus soldados sabem que o líder estava prestando atenção e que o elogio é sincero. Também ensinamos a comunicação assertiva, distinguindo-a da comunicação passiva ou agressiva. Qual o vocabulário, o tom de voz, a linguagem c
orporal e o ritmo de cada um dos três estilos — e que mensagem passam?
 
Aumentar a resistência mental, identificar e reforçar traços positivos e cultivar relacionamentos fortes são competências essenciais para qualquer gestor de sucesso. Programas de desenvolvimento de lideranças normalmente abordam essas habilidades, mas o programa MRT as une de forma sistemática para garantir que, mesmo diante de falhas terríveis — aquelas que custam vidas —, um sargento do Exército americano saiba como ajudar homens e mulheres sob seu comando a crescer, em vez de esmorecer. Um executivo pode mudar a cultura de sua organização para focar no positivo em vez do negativo e, com isso, transformar indivíduos pessimistas e impotentes, como o Walter lá atrás, em gente otimista e enérgica como Douglas. Para sermos sinceros, tínhamos receio de que militares durões fossem achar o treinamento em resiliência coisa “de menina”, “sentimentaloide”, “psicologia barata”. Mas não. Deram ao curso nota média de 4,9 (de um total de 5). Muitos deles disseram que é o melhor curso que já fizeram no Exército.
Acreditamos que o MRT vá criar um Exército melhor. Nossa hipótese está sendo testada em um estudo em grande escala sob o comando da tenente-coronel Sharon McBride e do capitão Paul Lester. Com o programa avançando, estão comparando o desempenho de soldados que aprenderam a ser resilientes com seus sargentos com o de soldados que não receberam a orientação. Quando terminarem, saberemos de forma conclusiva se o treinamento em resiliência e psicologia positiva pode tornar adultos numa grande organização mais eficazes, como o fez para gente mais jovem em escolas.
 
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Martin E.P. Seligman é titular da cátedra Zellerbach Family Professor of Psychology e diretor do Positive Psychology Center da University of Pennsylvania, nos EUA. Seu último livro é Flourish: A Visionary New Understanding of Happiness and Well-being (Free Press, 2011), do qual este artigo foi adaptado.
 
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