HBR: Você exerceu muitos papéis distintos no mundo do espetáculo? Qual a razão?

Streisand: Está no meu sangue. Sempre tive necessidade de ter uma atividade criativa, fosse qual fosse. E, quando algo me empolga muito, meu compromisso com a coisa é intenso. Aliás, comecei como atriz e só fui cantar para poder pagar as contas.

Há quem a descreva como mandona e exigente. É isso mesmo?

Ninguém nunca usaria essas palavras no caso de um homem. Falei sobre isso em um discurso que fiz anos atrás. Era assim: “O homem é dominante, a mulher é exigente. O homem é enérgico, a mulher é insistente. Ele é assertivo, ela é agressiva. Ele é estratégico, ela é manipuladora. Ele mostra liderança, ela controla. Ele é comprometido, ela é obcecada. Ele é perseverante, ela é implacável. O homem é perfeccionista, a mulher é uma chata”. Desde cedo, quando gravei meus primeiros álbuns e fiz meus primeiros programas de TV, fiz questão de ter controle artístico. Para mim, é o que importava. Confiei em diretores como William Wyler e Sydney Pollack; aprendi com eles e fui ouvida por eles. Mas, quando quis mais controle, passei a dirigir eu mesma. Com isso, posso dar forma a minha própria visão.

Quem trabalha com cinema precisa aprender rapidinho a colaborar com gente que nem conhece muito bem. Como encarar este desafio?

O set de um filme é como uma família, com sua dinâmica própria. O que o diretor faz é tentar criar um clima de confiança. Minha parte favorita é tirar a melhor interpretação de um ator. Para isso, tento conhecer o indivíduo. Vou saber quem é, como foi sua infância, o que o assusta, o que o motiva. Quando atuei em filmes que dirigi, em último lugar vinha meu papel como atriz. Em O Príncipe das Marés, por exemplo, deixava minhas cenas para quando chovia e não era possível filmar outra coisa. O trabalho com o roteiro me faz conhecer meu personagem — daí não ter de perder muito tempo com minha atuação.

E o medo dos palcos, como foi superado?

Anos atrás, a terapia me ajudou a lidar com a ansiedade. Também usava uma gravação sobre a excelência para acalmar os nervos antes de me apresentar ao vivo. E, quando estou muito nervosa, digo: “Agora, está nas mãos de Deus”.

Como foi equilibrar a vida profissional e a vida pessoal?

Você faz o melhor que pode, sem deixar de levar em conta suas próprias necessidades. Se não estiver realizada e feliz, você não vai ser uma boa mãe para os filhos.

Que aspecto da sua carreira foi mais gratificante? E você se arrepende de algo?

Atuar, escrever, dirigir, compor música, criar. Sou muito grata por ainda ter minha voz, que segue aí a meu dispor quando quero trabalhar. E sou grata por ter fãs tão leais. Se me arrependo de algo, é de não ter interpretado todos os personagens que quis interpretar: Julieta, Hedda Gabler, Medeia e um punhado de outros.

No palco, você diz nunca repetir uma interpretação. Qual o segredo?

Viver o momento. Um nunca é igual ao outro.

Share with your friends









Submit