Sua empresa está preparada para criar o próximo Uber? Você já começou a imaginar como as criptomoedas podem ser usadas para reforçar a segurança digital de sua empresa? Já considerou que os algoritmos usados por sua empresa podem estar mentindo inadvertidamente para você?

No fim de cada ano, aplico um modelo para revelar as tendências emergentes mais importantes em mídia digital e novas tecnologias para o ano seguinte. Ele analisa o comportamento do consumidor, tendências microeconômicas, políticas governamentais, forças de mercado e novas pesquisas, dentro do contexto de nossa tecnologia e nosso ecossistema de mídia digital em constante evolução. Meus colegas e eu usamos um conjunto básico de cinco atributos para procurar padrões emergentes: contradições, inflexões, estranhezas, coincidências e inversões. Esses atributos nos ajudam a identificar um conjunto de prováveis tendências no horizonte. Depois, submetemos cada tendência ao que chamamos de As Cinco Perguntas:
 

Onde/como as pessoas estão perdendo seu tempo?

Onde/como as pessoas estão tendo dificuldade com a tecnologia?

Onde/como as pessoas estão buscando informação?

Onde/como as pessoas estão empacadas?

Como as pessoas querem ser percebidas?
 

As Cinco Perguntas nos ajudam a avaliar qualitativa e quantitativamente se o padrão realmente é ou não uma tendência que vai se consolidar no futuro. Nós também submetemos a um teste de pressão as ideias nascidas das tendências que identificamos. Nossas tendências para 2015 oferecem uma grande oportunidade – juntamente com alguns desafios novos – para gestores em todas as indústrias. Aqui estão seis tendências importantes.
 

Aprendizado profundo: computadores artificialmente inteligentes são agora capazes de ter um aprendizado profundo usando redes neurais, que são sistemas inspirados no cérebro e capazes de traduzir pixels para o inglês. No fim de 2014, pesquisadores da Google revelaram um novo projeto que usa redes neurais e aprendizado profundo para identificar vários elementos de uma cena sem ajuda humana. Seu software “aprendeu” a pensar processando enormes quantidades de dados. Por exemplo, o aprendizado profundo acabará permitindo que robôs reconheçam objetos que nunca viram antes e naveguem para novos locais por conta própria. O aprendizado profundo atravessa inúmeras áreas e em breve ajudará na indústria manufatureira, na medicina, no varejo, nos serviços públicos e em muito mais áreas.

Assistentes pessoais virtuais inteligentes (APVIs): esses softwares começaram a entrar no mercado em 2013. Na época, usavam processamento semântico e natural de linguagem; dados extraídos de nossas agendas, nosso correio eletrônico e nossas listas de contatos; e os últimos minutos de nosso comportamento para antecipar os próximos dez segundos de nosso pensamento. A maioria desses aplicativos originais já foi comprada: o Emu foi adquirido pela Google, o Donna pela Yahoo, o Cue pela Apple… e a lista continua. Quando ainda estava ativo, o Emu era um substituto inteligente para um secretário pessoal. Ele monitorava a conversa e fazia sugestões automaticamente enquanto duas pessoas trocavam mensagens de texto. Por exemplo, se você convidasse seu amigo para ver um filme, o Emu iria geolocalizar imediatamente vocês dois, sugerir um cinema próximo e mostrar uma lista de filmes e horários – e depois, checar as agendas de ambos para verificar sua disponibilidade. Ele até exibiria um trailer. Após determinar o melhor horário para vocês se encontrarem, ele ajudaria a comprar as entradas e a inserir todos os dados em suas agendas. E tudo isso dentro de um único aplicativo móvel. Em 2015, os consumidores começarão a ver versões aperfeiçoadas dessa tecnologia incorporadas a seus celulares. Por exemplo, a Google está começando a lançar, sem alarde, uma nova função APVI para usuários do Android: ela detecta automaticamente quando você estaciona seu carro, marca seu local de estacionamento no Google Maps e o ajuda a voltar para ele quando você estiver pronto para dirigir novamente. Tudo sem que você lhe peça explicitamente que faça isso. Profissionais de marketing, empresas de cartão de crédito, bancos, agências governamentais locais, campanhas políticas e muitos outros podem aproveitar os APVIs tanto para fornecer informações cruciais como para conhecer e entender melhor seu público.
 

“É como o Uber para ___”:  apesar das duras críticas às suas práticas empresariais, 2014 foi um ano excelente para a Uber. Avaliada em US$ 40 bilhões, a empresa criadora do simples aplicativo homônimo que conecta motoristas a passageiros vale agora mais que Halliburton Corporation, Aetna, General Mills, Delta Airlines, Kraft Foods e Charles Schwab. O crescimento rápido da Uber se deve à adoção extremamente rápida de seu aplicativo pelo consumidor – e isto porque a empresa faz duas coisas muito bem. Em primeiro lugar, ela monetiza o tempo de inatividade. Para motoristas profissionais, o Uber é uma forma rápida e fácil de encontrar passageiros. Ele também é uma bênção para pessoas que ficaram desempregadas, proporcionando-lhes uma forma de ganhar dinheiro quando outros trabalhos são difíceis de encontrar. Em segundo lugar, o Uber tem uma interface de pagamento simples. Os passageiros não precisam andar com dinheiro, nem mesmo com cartão de crédito, já que toda a transação é feita através da interface móvel. O sucesso da Uber inspirou centenas de outros empreendedores, que querem imitar as melhores características da empresa. Em 2015, espere ver uma série de novas empresas de entrega e intermediação no estilo da Uber, incluindo entrega rápida de produtos alimentícios, passeios de helicóptero, caixas eletrônicos portáteis, entrega de bebidas alcoólicas, conserto de iPhone, serviços de massagem, lavagem a seco e lavanderia em domicílio, compras de artigos pessoais, maconha para fins medicinais, passeadores de cães e conserto de automóvel no local. Enquanto isso, os consumidores responderão a transações de um clique que processam pagamentos em segundo plano – o que significa que há uma grande oportunidade para empresas estabelecidas, como varejistas, companhias de transporte e bancos, de aproveitar o que está se tornando um padrão de comportamento do consumidor.
 

Supervisão para algoritmos: em essência, um algoritmo é simplesmente um conjunto de regras ou processos que devem ser seguidos para resolver um problema. Neste ano, também começaremos a questionar a ética de utilização dos algoritmos – e investigaremos a tendência que alguns algoritmos têm de errar. Os programadores estão acrescentando julgamentos subjetivos aos algoritmos e permitindo que estes forneçam respostas. Como resultado, os algoritmos utilizados na análise de grandes dados estão, cada vez mais, classificando erroneamente objetos, informações e até pessoas. Há inúmeros casos de algoritmos identificando equivocadamente suspeitos de terrorismo em aeroportos. Algoritmos de negociação de alta frequência quase destruíram uma vez o mercado de ações. Uma falha no algoritmo da Amazon fez o preço do livro The Making of a Fly: The Genetics of Animal Design disparar para US$ 26.698.655,93. Durante os próximos meses, os gestores devem discutir como incluir sistemas de verificação para algoritmos.
 

Privacidade de dados: violações sucessivas continuaram fazendo desmoronar a confiança do público. Segundo uma pesquisa da Pew Internet and Society, 91% dos americanos entrevistados “concordam” ou “concordam fortemente” que os consumidores perderam o controle sobre suas informações pessoais. Quer se trate do medo de que terceiros monitorem as atividades por celular ou da preocupação com a segurança das transações online, as pessoas estão cada vez mais preocupadas com sua privacidade – e estão culpando as empresas, não hackers maléficos. Em 2015, as empresas não devem apenas trabalhar para criptografar significativamente seus dados, elas também precisam mostrar ao público as medidas que estão adotando para proteger nossas informações pessoais. Uma nova área especialmente importante em 2015 é a do consentimento digital. Os advogados poderão em breve usar nossos dados pessoais contra nós no tribunal. Dados da Fitbit, processados por uma ferramenta analítica de terceiros, foram usados em um tribunal no fim de 2014, na mesma época em que a Comissão Federal do Comércio dos EUA começou a investigar a prática da Fitbit de vender informações pessoais dos usuários para anunciantes. Veremos crescentes reivindicações de acordos de consentimento digital e maior transparência.
 

Tecnologia de cadeia de blocos: a cadeia de blocos é a base de dados de transações compartilhada por todos os participantes do sistema digital do bitcoin. É como essa criptomoeda promete anonimato completo, mesmo usando uma sistema de contabilidade público, regulado pela multidão. Pense na cadeia de blocos como uma espécie de sistema de consenso distribuído, no qual nenhuma pessoa controla todos os dados. Mesmo que o bitcoin em si não se consolide, a tecnologia de cadeia de blocos tem um enorme potencial. Por exemplo, algumas pessoas argumentam que um sistema de cadeia de blocos teria impedido a gigantesca violação de dados de cartão de crédito na Target. Uma nova empresa, a Blockstream, planeja transformar a cadeia de blocos em uma plataforma universal que possa ser usada para qualquer coisa que exija assinatura ou autenticação. Ele permitiria que as pessoas participassem de transações “sem confiança”, em que compradores e vendedores trabalham com um intermediário, como um administrador de custódia ou um curador.

De certa forma, cada uma dessas tendências da tecnologia afetará o seu negócio em 2015. A melhor forma de se preparar para a disrupção que está chegando é aprender o máximo que puder, discutir as implicações com outras pessoas de sua empresa e, finalmente, empenhar-se em lançar pequenas experiências internas para ajudá-lo a ver as tendências em andamento.

 

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Amy Webb é fundadora e CEO do Webbmedia Group, uma empresa de estratégia digital que assessora uma base internacional de clientes sobre tecnologias e tendências de mídia digital para o futuro próximo. Ela também é professora visitante na Harvard University.

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