Em maio desse ano, quando os recém-formados se apressarem a integrar a força de trabalho, muitos buscarão empregos em start-ups em vez de grandes empresas. De fato, de acordo com uma pesquisa de 2016 feita pela Accenture, apenas 14% dos graduandos estadunidenses querem trabalhar em uma empresa de grande porte. Outros 44% prefeririam trabalhar em uma start-up ou em outra empresa pequena. Trabalhar em uma start-up tem vantagens que vão de uma atmosfera mais informal a mais autonomia e a uma aprendizagem prática mais rápida, mas também há desvantagens. Antes de pressupor que uma start-up será seu primeiro empregador ideal, certifique-se de que sabe onde está se metendo. Elenquei, com base em minha experiência em start-ups e com recém-formados, os desafios que jovens trabalhadores não sabem que vão enfrentar. Aqui estão:

Não conte com salário-padrão nem benefícios. Os desafios começam com a primeira medida que você tem de tomar após aceitar uma oferta de trabalho: negociar seu pacote de benefícios. Quando você é contratado por uma start-up, não há muito espaço para negociar salários ou benefícios. Se estiver ingressando em uma start-up que recebeu investimentos consideráveis, o salário pode até ser alto para seu cargo, mas se se tratar de alguma criada predominantemente com recursos próprios, o valor pode ser bem baixo. O salário em uma start-up será bem mais instável que em uma empresa estabelecida. Comparar a oferta com o salário de outras firmas será uma tarefa bem mais árdua. E quanto aos benefícios? Bem, muitas start-ups não oferecem benefícios como plano odontológico ou de saúde, ou um plano de aposentadoria do tipo 401(k); simplesmente não estão em uma situação financeira que lhes permita oferecer tais benefícios. Você precisará enxergar além de fatores como benefícios e salário para decidir se quer mesmo trabalhar nesse local.

A cultura organizacional está em constante evolução. A cultura de uma empresa é estabelecida a partir da forma pela qual os membros da equipe interagem uns com os outros, das práticas diárias que estabelecem, do modo pelo qual lidam com certas questões e de como trabalham juntos. Em uma grande empresa, o novo funcionário ingressa em uma cultura preexistente em que as normas já estão estabelecidas. Se você for um dos 20 primeiros funcionários de uma start-up, no entanto, ajudará a criá-la. Essa pode ser uma sensação confusa para qualquer pessoa, mas será pior ainda caso se trate de seu primeiro emprego. E se a empresa tem uma taxa de rotatividade alta, como é o caso de muitas start-ups, pode até ser difícil estabelecer uma cultura.

Falta de estrutura — ou mesmo de um chefe. Recém-formados que começam a trabalhar em start-ups podem estar saindo de um ambiente educacional em que os objetivos são claros e coerentes, em que são supervisionados de perto por pais e professores e estar ingressando em um emprego em que os objetivos não são claros, mudam constantemente (ou ambos) e no qual devem fazer tudo por conta própria sem supervisão ou feedback. Essa é uma situação difícil de encarar. Jovens em geral anseiam por feedback e atenção e acham difícil evoluir quando não há medida para o sucesso. Em algumas start-ups “falta de estrutura” é uma forma delicada de chamar algo que seria mais bem descrito como “caos completo”. Como se prospera como funcionário em um ambiente que está em constante mudança, em que as prioridades e objetivos mudam o tempo todo, com base em pressão de fundadores e investidores? Você tem de estar psicologicamente preparado para ingressar em um ambiente tão instável.

E em alguns casos pode ser que você nem tenha chefe. Conversei com muitos recém-formados que estavam em seu primeiro emprego após o fim da faculdade. Todos esperavam ter um chefe, mas agora estão começando a trabalhar sem um supervisor direto (em alguns casos, eles tiveram um por um curto período, mas essa pessoa deixou a empresa e não foi substituída). A esses graduados resta “ser o chefe”. Apesar de eles apreciarem a oportunidade, gostariam de ter alguém para ser seu mentor, aconselhá-los, ajudar a priorizar, oferecer estrutura e ensinar coisas novas.

Pressão para trabalhar o tempo todo. A maioria das start-ups não tem dias com pouco movimento. O ritmo 24 horas por dia, 7 dias por semana de uma empresa como essa pode parecer uma semana de provas — todas as semanas. Você não só trabalhará para um grupo de fundadores que está se empenhando constantemente em perseguir seus próprios sonhos (e correndo riscos mais altos que o seu de perder recursos e reputação), mas também provavelmente trabalhará com colegas um pouco mais velhos que você, que deram o sangue para trabalhar em estágios estafantes e primeiros empregos entediantes para conseguir essa chance. E-mails, mensagens de texto, mensagens no Slack podem chegar à noite, aos fins de semana e você terá que parar o que estiver fazendo para responder a elas. Quando colegas de trabalho lhe delegarem uma tarefa, esperarão que você faça o que for preciso para realizá-la sem reclamar ou perguntar demais. Se não estiver pronto para arregaçar as mangas e fazer o serviço ou mesmo se não sentir vontade de estar “sempre disponível”, talvez prefira buscar emprego em outro lugar. Em uma empresa maior e mais bem estabelecida, por exemplo, escalas são mais previsíveis e fins de semana, mais sagrados.

Falta de recursos. Trabalhe em uma grande empresa e terá muitos recursos — um departamento de RH, um de tecnologia, uma equipe de marketing. Se não souber como fazer algo, poderá lançar mão do orçamento de formação que possibilitará que você desenvolva habilidades em conferências ou workshops em outras cidades, o que pode ser divertido. Trabalhe em uma start-up e você será o departamento. Você fará as contratações, o marketing, o planejamento estratégico, a mídia social — tudo. Se não souber fazer, terá de aprender sozinho, com vídeos no Youtube, cursos on-line e outras fontes gratuitas de informação. Quer que alguém o ajude? Nem sempre isso será possível. Muitos jovens, a princípio, se empolgam com a criatividade que essa situação demanda, mas no fim acabam dando por si em um beco sem saída.

Incerteza financeira. Conversei com muitos jovens que tiveram dois anos estáveis em uma empresa que parecia estar decolando. Eles estavam entre os 40 primeiros funcionários contratados, tinham um cargo alto, ganhavam bastante dinheiro… e então, dois anos depois, os investidores recuaram ou ficaram sem recursos. Antes que se dessem conta, foram dispensados junto com a maioria de seus colegas. Se você for trabalhar em uma start-up, terá de estar preparado para essa possibilidade, não importa o quão duro trabalhe. Mesmo em start-ups estáveis, se você não está fazendo alguma diferença, pode ser demitido. Todo funcionário está preso a um orçamento e serve a um propósito. Se você não o cumpre ou não se faz notar de alguma maneira, não é essencial para o crescimento da empresa. Não é nada pessoal — simplesmente não há dinheiro suficiente para gastar com alguém que não esteja impulsionando a empresa. Esteja preparado para arranjar maneiras de fazer a diferença se você escolher o caminho das start-ups.
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Lauren Berger é CEO & Fundadora do InternQueen.com e do LaurenBergerInc.com. É também palestrante assídua e autora de All Work, No Pay e Welcome to the Real World. Sediada em Los Angeles, Berger orienta a IQ Agency, agência de marketing universitário que ajuda marcas a se conectarem a jovens ambiciosos.
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Tradução: Adriana Garcia Sabbag

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