Lorne Michaels criou o Saturday Night Live em 1975 e passou cerca de quatro décadas à frente do programa, lançando comediantes, de Eddie Murphy a Kristen Wiig. Ele diz que há uma “pressão inimaginável” quando se vai “da página em branco a estar no ar em seis dias” toda semana. Mesmo assim, afirma que jamais vai se aposentar, porque “nenhum outro trabalho significará tanto para mim”. Entrevistado por Alison Beard

HBR: Como você motiva sua equipe?

Michaels: Você lidera pelo exemplo. Se as pessoas sentem quão compromissado você é, qual é o padrão, em que você acredita, o que você espera, elas respondem. E, se elas se preocupam tanto quanto você, não há necessidade de um discurso motivador.

Qual é o segredo de ser criativo até o último minuto?

Saber que o último minuto é, de fato, o último. Isso foca a atenção das pessoas. Não corremos porque estamos prontos. Corremos porque são 23h30. Não há como fugir disso.

A comédia é tão subjetiva. O que acontece se as pessoas não concordarem com o que é bom?

Nossos ensaios gerais levam cerca de 35 minutos a mais do que teremos no show ao vivo. Algumas vezes as coisas não funcionam e, aí, o escritor fica muito mais aberto a mudanças. Você pode ter uma briga antecipada, mas quem está certo? Se fizermos o ensaio e a plateia ficar neutra, então podemos começar a cortar de uma forma relativamente cruel, porque tudo que você está tentando fazer é produzir o melhor show possível. Nesse ponto, não há mais qualquer discussão efetiva. Cabe a nós apenas executar. As pessoas criativas respondem melhor quando sentem que foram ouvidas e têm a oportunidade de ver como sai o trabalho em que realmente acreditam.

Como você e o elenco aprendem com seus erros e acertos?

Acho que é válido quando Malcolm Gladwell fala sobre as dez mil horas de ensaio. Não é natural atuar às 23h30, num sábado à noite, em um arranha-céu no Rockefeller Center, de modo que, para se sentir à vontade, só mesmo representando. Às vezes você esquece uma fala, ou aquilo em que você está completamente confiante desmorona. Não há como culpar a campanha de marketing. Você simplesmente não foi bem. Eles não riram. Foi um grande momento e você não conseguiu aproveitá-lo. É realmente difícil de lidar, mas você vai passar por cima, e estará lá na próxima semana. Essa é a resiliência do show e dessas pessoas. Você encara e, lentamente, melhora. Às vezes, não dá certo para alguns, mas, na maior parte do tempo, mantemos as pessoas até o momento em que estão nadando de braçada, donas do palco, iluminan-
do-o, e sabendo que o público está com elas.

Você está numa posição insólita, porque quanto melhor seus funcionários se saem, mais sujeito a perdê-los você fica. Como você lida com essa tensão?

Pessoas talentosas são inquietas. As mais talentosas vão embora e, com frequência, as menos talentosas são mais fiéis. Quando opino em relação a deixarem o show, sempre uso a mesma metáfora: eu lhes digo que construam uma ponte até o próximo ponto e então, quando ela estiver sólida, atravessem. Não deixe precocemente uma plataforma nacional, onde todo mundo da indústria pode vê-lo reinventar-se a cada semana. Sei que há muita pressão e as horas são terríveis. Mas o verdadeiro mundo do show business é muito mais duro do que o nosso.

O que você procura em novos talentos?

Nunca duas vezes a mesma coisa. Você está procurando um olhar original, um nível de inteligência e potencial, porque, quando chegam, estão crus. Normalmente são uma ou duas pessoas novas por ano. Isso ajuda a reinventar as coisas, e parte do prazer do show é poder ver as pessoas no início de suas carreiras.

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