“Todos os dias lemos alguma coisa sobre a terrível época em que vivemos. Bem, eu ouvi isso minha vida toda”, disse Horton Foote em uma entrevista para Terry Gross, em 1988, no programa de rádio Fresh Air. “Não acredito que esta ou aquela época seja pior. Existem apenas novos (e diferentes) problemas.” Foote, vencedor do prêmio Pulitzer como teatrólogo e ganhador do Oscar como roteirista, faleceu em 2009 aos 92 anos. Muitas de suas peças evocam lembranças de gerações passadas de sua família, que habitavam as pequenas vilas e entornos do Texas. Não há dúvida de que Foote e sua família viram momentos de dificuldade: a guerra, a seca e a grande depressão, bem como a perda de entes queridos. Alguns não foram capazes de lidar com suas perdas; já outros, como Foote, conseguiram.

As palavras do autor, ditas há quase 30 anos, nos fazem lembrar a resiliência da condição humana. Temos a capacidade de suportar dificuldades e, na maioria das vezes, reagimos. Os gestores precisam incitar esse espírito de resiliência no ambiente de trabalho. Veja algumas sugestões para perpetuá-lo:

Tenha perspectiva. A magnitude da última recessão é sem precedentes para qualquer um nascido depois de 1945. Milhões de pessoas ficaram desempregadas e outras tantas ainda ficarão. Porém, se o passado pode ser visto como um indicador, a maior parte das empresas vai sobreviver e outras tantas surgirão. Mais importante: nós, como povo, perseveraremos.

Mostre determinação. Se você tem emprego, e a maioria das pessoas tem, faça um esforço para que sua empresa tenha sucesso. Gerentes e funcionários precisam trabalhar juntos. Os empregados não estão em dívida de gratidão com seus chefes; nem o contrário. Todos estão em dívida uns com os outros.

Compartilhe histórias. Foote era contador de histórias talentoso. Muitas de suas peças discutem perdas e adversidades. Seus heróis aprenderam a sobreviver. Os gerentes podem seguir o exemplo de um dramaturgo e coletar as histórias daqueles que conseguem superar as dificuldades. Uma parte de uma reunião de funcionários pode ser um bom momento para compartilhar histórias. Não como uma forma de se queixar, mas sim de mostrar como enfrentar a situação; e, mais importante, uma maneira de aprender com os exemplos dos outros.

Estimular a resiliência não é simplesmente um exercício para fazer as pessoas se sentir melhor. É um meio de mantê-las comprometidas com o trabalho. Quando um gerente dedica seu tempo para compartilhar suas histórias, ele demonstra atenção e preocupação. Além disso, faz com que os empregados fiquem mais dispostos a trabalhar para ele. Em um mundo de crescente incerteza, trabalhar para um chefe em quem você confia é um bônus. Essa resiliência é positiva para a empresa, mas também para as pessoas, principalmente aquelas que um dia podem ficar desempregadas. Se elas superaram momentos penosos em seu trabalho atual, podem fazer o mesmo no próximo. Tal resistência é capaz ainda de levantar o espírito dessas pessoas quando estiverem em busca de novo emprego. Em A força do carinho, de Horton Foote, um cantor de música country, Mac Sledge (interpretado por Robert Duvall), tenta se recuperar do alcoolismo e mudar de vida por meio do relacionamento com uma viúva e da amizade do filho dela. Enquanto Mac dedilha seu violão, o menino lhe pergunta se ele acredita que voltará a ser rico. “Vou lhe dizer uma coisa, Sonny, não passo a noite acordado pensando nisso.” Mac então canta e toca alguns acordes no violão. A música segue seu curso, assim como a vida.
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John Baldoni é coach de executivos internacionalmente reconhecido e educador especializado em liderança.

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