O que se espera de um líder empresarial no século XXI? Durante muitas décadas, talvez séculos, coube às lideranças a missão de ter, quase na ponta da língua, respostas para todas as perguntas. Responder era como uma extensão do cargo. Afinal, o “sabe tudo” deveria ser o chefe.

As mudanças no modelo de gestão provocadas pelas experiências de grandes líderes empresariais, do olhar de consultores e do próprio impulso das sociedades contemporâneas provocaram transformações significativas no papel dos líderes. Hoje, trabalhamos com pessoas de diversas formação e culturas, com equipes que ficam ao lado ou a quilômetros de distância. Com isto, Aprendi que para ser bem-sucedido na gestão preciso saber fazer as perguntas certas, na hora certa, para a pessoa certa. O poder está com quem sabe conduzir uma boa conversa. Como vivemos a fase da gestão compartilhada, do trabalho colaborativo, participativo, da troca constante de ideias, aprender a fazer boas perguntas é fundamental.

Esse aprendizado veio seguido de um outro extremamente importante para nós, gestores. Aprendi que devo me cuidar. A cuidar melhor da saúde, do tempo e dos relacionamentos. Decidi dedicar uma maior parte do meu tempo às pessoas, valorizando os relacionamentos, sejam eles profissionais, familiares ou sociais. Passei a confiar mais nas equipes, a delegar mais, a ser menos centralizador e mais colaborativo. Passei a usar mais a tecnologia para fazer a gestão das equipes que ficam em lugares distantes. Entendo que o equilíbrio nos meus relacionamentos é a base de uma vida saudável e próspera.

Aprendi também que o importante é o que eu faço, não o que eu falo ou escrevo. Nas minhas interações diárias, escuto muitas pessoas falando, leio bastante material escrito, mas afinal, o que vale para mim são as ações. É pelas suas ações que avalio o compromisso das pessoas que se relacionam comigo.  Para mim, o importante é o que se faz.

Entretanto, não basta ‘fazer’ de forma automática, sem estar no controle de suas ações: precisa ser feito de forma consciente. São tantos temas que povoam e poluem os pensamentos que a vida vai passando, dando a sensação de perda de controle. Percebi que deixamos, geralmente, um piloto automático assumir muitas das nossas ações diárias. Mas é quando assumimos o controle da própria vida que nos tornamos mais produtivos, mais objetivos e bem mais felizes. Aprendi que estou no controle da minha vida: tomo minhas decisões com consciencia plena.

Aprendi que não estou sozinho. Líderes solitários, fechados em seus espaços, tomando decisões sozinhos já não combinam mais com o estilo das sociedades contemporâneas. Vivemos o tempo de participar, colaborar, integrar, estarmos abertos a mudanças. Os grandes líderes, mesmo diante do volume de informação que têm acesso hoje, sabem que não tem mais controle de tudo. Precisamos compartilhar informação, pensar e tomar decisões em grupo.

Aprendi que minha vida é uma sequência de ciclos. A explicação que mais faz sentido para mim é a visão dos setênios, que explica e contextualiza porque vivemos mudanças significativas em nossas vidas a cada sete anos. Não se trata de uma ciência exata, mas olhando retrospectivamente, vejo que a cada sete anos acontecem mudanças importantes e de impacto na minha vida. Mudamos de ciclo. E não adianta querermos queimar etapas. Só entramos no próximo ciclo quando o outro esta concluído. Em breve estarei com 49 anos. Um novo setênio começou para mim.

Aprendi a confiar nos insights que tenho pela manhã quando acordo. Abandonei o velho hábito de tomar decisões com a mente cansada. Grandes desafios necessitam de tempo para refletir e analisar os fatos em vários ângulos.  A experiência tem me mostrado que surte efeito. Até aqui, posso dizer, que as decisões que tomei com a mente descansada foram as mais assertivas. Sei que cada um de nós tem seu estilo, o horário certo para estar mais relaxado e conectado com o ser interior. Então deixo uma dica: encontre seu relógio interior e invista nele para, com a mente descansada, tomar as decisões.

Aprendi a estabelecer metas. Parece fácil, mas não é: aprendi que estabelecer metas com eficácia não é tão simples assim. A objetividade e a racionalidade da matemática tornaram-se minhas grandes aliadas na definição das metas. Metas precisam ser estabelecidas com clareza, com objetivos que podem verdadeiramente ser cumpridos, com prazos e outros meios que possam ser mensurados. Quando me pergunto e analiso porque algumas pessoas chegam mais longe do que as outras, atingem melhores resultados, sejam profissionais ou pessoais, sempre vejo que o planejamento esteve presente em suas decisões. Podemos ajudar essas e as futuras gerações do mundo dos negócios a se planejar mais, a usar mais a matemática para traçar metas.

Aprendi que é preciso soltar, confiar, delegar, perdoar. A beleza do trabalho em equipe reside em como atuar à frente de um time formado por pessoas com jeito e gênios distintos e conseguir os resultados desejados. Soltar e delegar exige do gestor uma mudança em sua forma de comunicar, pedir, treinar e transmitir as suas expectativas. Exige, sobretudo, autocontrole e autoconfiança. Implica valorizar a conduta nos relacionamentos com os clientes, fornecedores, funcionários. Impacta na qualidade das entregas e no respeito aos prazos. Delegar é preciso. Confiar é primordial.

Procuro fazer a coisa certa na primeira vez, na primeira tentativa e dentro do prazo.

Parece algo rotineiro. Mas está ligado à disciplina, ao foco, à educação, à produtividade, ao comprometimento e ao compromisso. Fazer certo na primeira vez significa economia de tempo e de recursos. Retrabalho é perda de tempo e de recursos. Se eu puder contribuir com algo neste país que me acolheu, que aprendi a amar, onde constitui família e trabalho, gostaria muito de ser essa voz que incentiva as pessoas a investir nas competências para fazer a coisa certa e no prazo já na primeira vez. É uma questão de coerência. É questão de responsabilidade. É uma questão ética. Se prometi entregar, se estou envolvido em uma missão e aquela etapa depende de mim, preciso fazer de tudo para evitar desperdício de tempo e de recursos pela não entrega nos prazos.  Eu escolhi o Brasil para viver porque acredito no potencial deste país. Acredito que se todos, juntos, fizermos a coisa certa, da primeira vez, e no prazo que foi determinado, podemos transformar este país em uma das nações mais produtivas e admiráveis do mundo.

Laurent Delache é vice-presidente da Aspect América Latina. Francês, mora no Brasil há 25 anos.

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